Parte do processo

Nos dias 14 e 21 de fevereiro deste ano, participei da oficina Construção de Câmera Digital Artesanal (com sucata de scanner) no SESC Belenzinho ministrada pelo fotógrafo Guilherme Maranhão.

No primeiro encontro da oficina, basicamente foi mostrado quais são as partes uteis dentro de um scanner para construção de uma câmera simples. Abrimos alguns desses scanners, conhecemos suas mecânicas e funcionamento e montamos nossa câmera.

Experimentamos também a construção de um sistema que rotacionava a câmera a fim de produzir uma especie de panorâmica equirretangular. Um vídeo da engenhoca foi postado no vimeo do Guilherme Maranhão:

oficina 14/03 from Guilherme Maranhao on Vimeo.

Houve também um espaço ao final desse encontro para o dialogo a respeito da fotografia de scanner, onde Guilherme comentou uma metáfora bem interessante de que normalmente fotografamos um recorte de tempo de um espaço construído, ou seja, enquadramos uma imagem (espaço) e fotografamos ela por alguns milisegundos (tempo) e é isso. Já na fotografia de scanner essa relação é invertida, ou seja, fotografamos recortes de espaço no tempo. Ou seja, nesse tipo de fotografia por trabalharmos com um CCD linear ao invés de um retangular como nas câmeras comuns, necessitamos de um movimento seja da câmera ou do tema fotografado. Isso faz com que percamos o nosso recorte de espaço para um espaço que se constrói em conjunto com o tempo ou talvez, se desconstrói ao tempo.

Logo após esse encontro, cheguei em casa e parti para exploração de dois scanners que tinha ganhado a um tempo atrás. Um deles um Epson Perfection 1260 e um Hp 2200c, sendo esse segundo o recomendado na oficina (sortes do acaso). Comecei pelo Epson, retirando o que não precisa dele (motor, lampada, botões de controle, etc) e fiquei com o essencial, a placa de alimentação e a placa do ccd ainda embutida no carro principal do scanner. Nesse projeto tentei usar a própria lente do scanner e o carro dele como suporte para montar a camera. Liguei no computador e ele foi reconhecido! Produzi essa imagem com ela:

Scan-150215-0003

A câmera montada final ficou assim:

Foto-criada-em-15-02-15-às-12.11-#2

Mas infelizmente acabei queimando ela, desconfio que com uma ligação ao contrário do flatcable que conecta as duas placas.

No segundo encontro da oficina, centramos nossas conversas mais a respeito da tecnologia e sobre a fotografia em si. Guilherme também aprofundou a conversa em alguns dos seus projetos de câmeras com sucata de scanners (todos os detalhes ele posta em seu blog, que compartilho ao final deste post). Com essas novas informações construí minha segunda camera, dessa vez com um projeto um pouco mais “robusto”.

A ideia inicial era reaproveitar um corpo de uma antiga slr que tenho aqui que não está funcionando legal, mas como é uma câmera boa acabei ficando com dó “destrui-la” e parti para uma solução mais artesanal mas que permitisse usar uma lente com foco e diafragma. O caminho escolhido foi:

  • produzir todo o corpo da câmera reaproveitando retalhos de madeira aqui do estúdio;
  • usar uma tampa de fundo de lente vazada como encaixe para a lente;
  • parafusos para controlar a distância do CCD entre a lente (ideia retirada desse projeto do Guilherme Maranhão);
  • uma rosca na parte inferior para encaixe de tripé;
  • elásticos para fechar e abrir as tampas superior e lateral da câmera;
  • e por fim feltro e foam preto para isolar as aberturas.

Aqui segue uma imagens de como ela ficou:

IMG_0260 IMG_0259 IMG_0256

Tive que colocar uma tampa na lente pra entrar menos luz. A tampa tem um corte linear pois o ccd é linear também.

O único problema é que nessa lente em especifico eu tenho uma pequena trava que precisa ser pressionada para dar o controle do diafragma. Infelizmente ainda não consegui pensar um jeito de trava-la sem danificar a lente.

As imagens obtidas com ela ainda tem uma certa perda de cor no verde, sendo todas imagens geradas mais puxadas pro vermelho. Em um teste parecia até que tinha um filtro infravermelho acoplado nela.

Bem, segue aqui alguns resultados

Scan-150223-0004_baixa

Scan-150223-0001

Para quem achou interessante esse processo super recomendo a visita ao site e blog do Guilherme Maranhão:

http://www.guilhermemaranhao.art.br/

https://refotografia.wordpress.com/

min-18575

 

Pequeno experimento produzido em Processing e finalizado no Photoshop. Pra quem quiser ver a parte em Processing:

http://www.openprocessing.org/sketch/184870

Uma ideia, pra gerar quase a arte inteira no Processing, seria fazer alguns dos grafismos gerados lá assumirem uma imagem, ao invés de cores aleatórias, como se fossem máscaras.

 

 

 

 

 

 

Gabri_ela

 

Começou sendo um não retrato, mas terminou sendo um retrato não tão parecido. Sobre ela já tem essa, essa e essa.

2014

 

 

Ia ter um texto, mas ficou só um desejo de bom ano a todos.

2014-09-19 18_53_08-

Aaron

181
00:11:49,000 –> 00:11:50,006
Eu estava muito
frustrado com a escola.

182
00:11:50,064 –> 00:11:52,130
Eu pensei, os professores não
sabem o que eles estavam falando,

183
00:11:53,004 –> 00:11:56,007
eles são dominadores e controladores,
lição de casa era uma espécie de farsa.

184
00:11:56,814 –> 00:11:59,585
E, você sabe, toda
hora tinham… [inaudível]

185
00:11:59,607 –> 00:12:01,440
e forçá-los a fazer
muito trabalho.

186
00:12:01,701 –> 00:12:05,563
E, você sabe, eu comecei a ler
livros sobre a história da educação

187
00:12:05,006 –> 00:12:07,718
e como este sistema
educacional foi desenvolvido.

188
00:12:08,378 –> 00:12:12,225
E, você sabe, formas alternativas, onde as
pessoas pudessem realmente aprender as coisas

189
00:12:12,276 –> 00:12:14,282
em vez de apenas regurgitar
fatos que os professores lhes diziam

190
00:12:14,009 –> 00:12:16,665
e esse tipo de caminho me
levou a questionar as coisas

191
00:12:17,065 –> 00:12:20,942
e uma vez eu questionei a escola que eu estava,
eu questionei a sociedade que construiu a escola,

192
00:12:21,563 –> 00:12:24,749
eu questionei as empresas para o qual
as escolas estavam treinando as pessoas,

193
00:12:24,792 –> 00:12:27,818
eu questionei o governo que, você
sabe, configura toda esta estrutura.

376
00:25:22,002 –> 00:25:28,005
Eu sinto-me bastante fortalecido de que não
seja o bastante apenas viver no mundo como ele é,

377
00:25:28,007 –> 00:25:32,014
apenas pegar o que está dado e seguir as
coisas que os adultos nos dizem para fazer,

378
00:25:33,006 –> 00:25:36,013
que nossos pais nos dizem para fazer,
e que a sociedade nos dizem para fazer.

379
00:25:37,005 –> 00:25:40,011
Eu acho que você deve sempre estar questionando,
você sabe, tomar esta atitude muito científica

380
00:25:41,003 –> 00:25:42,008
de que tudo o que você
aprendeu é apenas provisório

381
00:25:42,009 –> 00:25:45,017
e está sempre aberto para retratação,
refutação ou questionamentos.

382
00:25:46,009 –> 00:25:48,014
E eu acho que o mesmo
se aplica à sociedade.

Trechos de legendas retiradas do documentário “O menino da Internet: a História de Aaron Swartz”
Site oficial: http://www.takepart.com/internets-own-boy

Assista com legenda em português:

 

Política

po.lí.ti.ca 
sf (gr politiké1 Arte ou ciência de governar. 2 Arte ou ciência da organização, direção e administração de nações ou Estados. 3 Aplicação desta arte nos negócios internos da nação (política interna) ou nos negócios externos (política externa).

Da política na minha vida;

Eu não sei precisar quando a política entrou na minha memória na minha vida, mas pensando na minha criação, acho que foi sempre. Não é novidade para aqueles que me conhecem que meu Pai é militante do PT desde a fundação do partido e a minha Mãe apesar de não ser militante, sempre acompanhou as posições do partido. Foram deles que desde de cedo aprendi o quanto a política era importante para o destino do nosso país e para uma sociedade em que a igualdade e a liberdade são valores respeitados e levados a sério.

Apreendi claramente que política e outros assuntos (religião, sexo, drogas, etc) se discutem sim, com atenção, argumentos e novamente respeito. De meus pais nunca ouvi um simples vote no candidato tal, ou vote no candidato do fulano, ou um vote no PT. Sempre ouvi, argumentos, pensamentos e posições especificas sobre o que acreditar e o por que votar em tal partido.

Da política antes do primeiro turno;

Essa eleição com certeza foi a que eu mais li textos a respeito do assunto. Nesse momento da nossa história, com a internet ficou bem claro entender o quanto as pessoas tem preguiça de pensar em política e de usar a empatia. Como torcedores fanáticos e aflitos muitas palavras de ódio sobrepuseram a excelentes pensamentos.

Tomar uma posição é essencial e a pesquisa faz parte dela, não adianta nos rodearmos de pessoas que estão do nosso lado e negarmos os ouvidos e o coração ao outro lado. Li textos de ambos os lados, e eles só me ajudaram a entender melhor a minha posição e a compreender a posição do outro. Me ajudaram a entender que o bom da democracia é termos vários lados que se respeitem e que tenham o objetivo de uma país melhor, e um mundo com fronteiras menos hostis.

Da política e seu discurso vazio;

Essa foi uma eleição de muitos argumentos vazios. A corrupção que assola tristemente o país em todos os graus do poder foi vestida em um partido e teve 1 dono e 1 criador. Foi usada amplamente como argumento pela mídia para o fim do governo do partido atual, ignorando todos os casos assustadores de corrupção de outros partidos.

O argumento da falta de liberdade e a ditadura comunista, foi o mais surreal apontamento de todos. Estamos em um momento — que fortalecido pela internet — a comunicação é extremamente livre, as pessoas podem falar e esse é um direito de todos lados. Estamos bem distante de um governo comunista, e que não podemos confundir programas assistencialistas e distribuição de rende com comunismo. Vivemos em um país capitalista.

O ódio como um motivo, é uma representação cega que tem como base o preconceito na maioria das vezes e nos vela os olhos de coisas importantes que devemos conhecer. Dizer que não gosta, e generalizar todas os políticos e qualquer partido é se esquivar de assumir uma posição e da responsabilidade de suas escolhas

Da política e a mídia;

As mídias tem uma posição, e não há nada de errado em ter uma posição. O jornalismo sem viés é algo bonito de se dizer, mas só o fato de narrar uma historia escolhendo o que é importante e o que não é importante, o que é fato e o que não é, já traz um viés. A mídia pode assumir uma posição e ser clara com isso, não fingir ser a favor da neutralidade quando está apenas reforçando um lado, apoiando o jornalismo sem fontes, sem apuração e sem critério.

Outro ponto curioso foi a mídia pela internet. A internet apesar dos filtros do Google, Facebook, etc. que somente lhe entregam um conteúdo já baseado nas suas preferências é ainda a mídia de “quase massa” que é mais livre em seu conteúdo e graças a elas muitas informações que não são relevantes para a mídia televisa e principais meios da mídia impressa apareciam pela rede.
No fim, a internet se mostrou uma ferramenta poderosa para propagação de ideias, quem soube aproveita-lá teve resultados melhores do que quem se apoiou apenas nas outras mídias.

Da política e a segregação;

Ter lados, não significa ter inimigos. Escolher um candidato não pode ser um simples motivo de ódio ao outro e nem ao próximo. O Brasil está divido, mas não entre dois partidos e sim em outros valores, está dividido em classes sociais, em gênero, em cor e são essas divisões que dão credencial ao acesso a totalidade da vida baseada num triste preceito de meritocracia que só ajuda a segregar mais.

O desfecho dessa história pra mim lembrou uma excelente palestra de uma escritora chamada Chimamanda Adichie que assisti no TED, onde ela relata o mal que é conhecer apenas um lado de uma história.  Fica aqui o link para ela:

Chimamanda Adichie: O perigo da história única

 

Em uma eleição que meu pai tentava a candidatura a vereador em São Paulo, Eduardo Suplicy compareceu em uma simplória festa de aniversário de meu pai organizada no bairro em que moro a 25 anos na zona leste de São Paulo. Regada salgadinhos e refrigerantes Suplicy ministrou uma pequena conversa a respeito de suas últimas pesquisas sociais e cantou com a maior propriedade Racionais MC’s e Bob Dylan, um representando a juventude pobre e periférica desse grande mar de prédios e o outro representando a paz tanto desejada no mundo. Sua presença foi um grande exemplo da sua humildade e mostra a sua seriedade e respeito a todas pessoas, sem distinções.

Suplicy é uma pessoa que levou a transparência a figura de um político, coerente, ponderado e sempre dispostos a ouvir qualquer lado, seja qualquer for ele. A política aberta ao dialogo que foge do argumento do ódio é a melhor representação das ações de Suplicy.

Fica a singela homenagem ao nosso sempre bem vindo Eduardo Suplicy.

Suplicy

Sobre: espelho, auto-conhecimento e antigos hábitos.

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