Parte do processo

Lomografia e o conto das duas cidades

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Lá em meados de 2008 pra 2009 eu conheci o universo da Lomografia e entrei para a lista de e-mail LomoBr (acredito que a lista seja uma das se não a primeira iniciativa de lomografia no Brasil). A estética lomográfica é algo que está bem comum hoje em dia através dos filtros do Instagram e outros apps de celular que simulam os defeitos e erros do processo fotográfico analógico. A lista LomoBr me mostrou que indo além das questão estética, existe (existia?) na comunidade lomográfica um hábito de produzir projetos em conjunto. E esses projetos iam de coisas simples como sair para fotografar juntos em lugares bacanas, até organizar exposições ou coisas mirabolantes como o projeto LomoInLomo e “Lomo Matrix”.

Dentre esses projetos, existe um recorrente chamado “A Tale of Two Cities” que basicamente consiste em uma pessoa fotografar normalmente um rolo de filme em sua cidade e depois enviar para uma outra pessoa o mesmo filme para ela fazer fotos por cima, ou seja, o filme ficaria com duas exposições de locais, pessoas e máquinas diferentes. Eu gosto muito da lógica desse projeto pois ele além de possibilitar a troca entre pessoas para produzir algo em conjunto, permite que a fotografia analógica abra mais espaço ainda para o acaso, já que é praticamente impossível saber o que sairia desse filme, ainda mais que normalmente o projeto é feito com pessoas que não se conhecem e de cidades distantes.

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Minha companheira estava cursando Design Gráfico na Universidade Estadual de Londrina, e essa foi uma oportunidade de fazer um projeto desse tipo. Fotografei alguns dos meus dias de São Paulo usando a minha querida Pentax Spotmatic F com um filme Kodak Ektachrome e minha companheira fez a segunda exposição usando a queridinha OlympusTrip. Como em todo processo e projeto analógico existe a grande possibilidade da frustração dos resultados, pois são muitas variáveis e nem sempre você está no comando de todas. Dessa vez a frustração passou longe. Fazia tempo que não fazia projetos com dupla exposição, e a utilização de cameras com lentes diferentes ajudava mais ainda fazer umas combinações mais imprevistas. Minha Pentax estava com uma lente olho de peixe, e a Trip possui uma lente com pouca distorção, então isso fortalece o contraste das exposições em algumas fotos. As duas fotos que ilustram esse post sairam dessa experiência.

O filme completo pode ser visto aqui:

https://www.flickr.com/photos/terceiroolho/albums/72157666410381045

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