Parte do processo

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Há sombra?

Desde que assumi uma posição de artista/designer/ilustrador a um tempo atrás tenho tido diversas oportunidades de trabalho em grupo em vários âmbitos, coletivos, cursos (faculdade, técnico, e etc) e amigos. E dentro dessa experiência o que vejo como grande barreira ao trabalho é como objetivos, limites e maturidades diferentes são fatores complexos de lidar.

O princípio da vida é simples, todos temos coisas pra fazer e todos amamos mais as coisas que a sociedade não nos obriga a fazer (eu, apesar de ter meu trabalho, principalmente o pessoal como algo que amo fazer, amo muito as outras coisas da vida também). E isso cabe a todas as pessoas. E é nesse ponto que a barreira dos objetivos, limites e maturidade cria seus ruídos.

A conta pra mim que nunca bate nesse processo é o quanto a falta de empatia é assustadora. Na metáfora da ilustração desse post, há sombra por que alguém a sustenta e essa pessoa a sustenta por um custo. Foi uma opção da pessoa, sustenta-la? Sim, mas será que a mesma sombra não poderia existir de outra forma? No fim, se a sustentação ir embora, existe possibilidade de segurar a montanha a tempo dela cair?

Acho que ser honesto com seus objetivos, limites e maturidade ajuda a tocar de forma projetos de maneira mais saudável. Não gosto da máxima “saia da zona de conforto” pois não acho o conforto um crime ou algo errado, mas o quanto custa seu conforto é uma questão que devemos fazer se o queremos de maneira empática.

Encontrar pessoas com o mesmo objetivo (e não os coloco em escala de importância, não existe objetivo maior ou menor) é facilitar processos e eliminar ruídos.

Por mais “brega” que seja dizer, o trabalho com empatia cria boas relações, mais duradouras, saudáveis e produtivas.

Analógico Digital

Entrei na faculdade em 2011 e desde de lá ando pensando muito sobre questões do ensino — de certa forma sempre influenciado pelos meus pais professores — e uma delas que me incomoda bastante é o a relutância do mundo digital pela academia.

A maioria dos projetos são validados pelas quantidades de livros que se usam de referência e não pela qualidade real do texto e do pensamento crítico envolvido, aliás esse pensamento crítico quase nunca é solicitado, sendo mais interessantes citações e redundâncias de dizeres do que construções de propostas.

A academia deveria ser a maior interessada no uso da internet como uma ferramenta  disseminação de conhecimento. Vejo a academia como propulsora do conhecimento e a internet é um veículo rápido para isso. Boicotes a iniciativas como a Wikipédia é uma insistência em metodologias ultrapassadas de lidar com o conhecimento. Vivemos em uma sociedade intelectual em que o hipertexto é um processo intrisico e natural.

E a relutância ao mundo digital segue em diversos níveis, em uma recente experiência foi proposto em uma aula de fotografia a construção de um “Diário de Imagens” com o objetivo de fortalecer a memória do aluno na compreensão de técnicas e formas de composição em fotografia através da catalogação de imagens. Um trabalho perfeito para ser feito em ambiente digital através de pesquisas no Google, Flickr, Pinterest, 500px e para catalogação até mesmo dentro dessas próprias ferramentas. Mas eis que surge a limitação um tanto quanto problemática. A catalogação deveria ser feita unicamente através do recorte de imagens em revistas, ou seja o aluno terá que percorrer um número alto de revistas vendo uma série de conteúdos que não dizem respeito ao trabalho e gastar horas a mais no projeto para colher as imagens.

Com esse exemplo um dos motivos a relutância digital fica claro, o medo do aluno burlar regras do projeto, talvez até copiando o trabalho de um outro aluno e a vontade do professor de querer controlar o aprendizado do aluno — o que na faculdade me soa ingênuo e até inútil — fazendo com que ele assimile conhecimento da mesma forma que ele, executando um projeto com uma metodologia do século passado (literalmente). Será que esse possível controle é válido? Ou será que é o interesse do aluno pela disciplina que produz o verdadeiro conhecimento? Pra mim a segunda hipótese me soa mais realista.

Quanto tempo será que ainda vamos levar para estruturar as tecnologias digitais como facilitadoras das organizações acadêmicas? E quanto será que vamos  deixar que os alunos trilhem mais suas formas de conhecimento? O que será importante para o indivíduo, seguir uma série de passos que não fazem muito sentido ou seguir um raciocínio mais aberto?

Não sou a favor de uma tecnologia em detrimento da outra, mas a relutância ao novo ao invés da compreensão sustentável do mesmo é sempre um retrocesso.

 

Queda Livre

 

Seja o que for, é melhor ir de cabeça.

Ideias são como

http://pt.wikipedia.org/wiki/Moscas_volantesIdeias são como moscas volantes

A Culpa I

bom dia 2014

2013

Umas das questões filosóficas sobre o mundo da criação que sempre me vem a cabeça, mas esse ano que surgiu de forma mais madura é a respeito de como lidamos com a propriedade intelectual. Se analisarmos outros campos como as áreas da programação ou da música vemos que essas questões estão bem a frente comparadas com o mundo do design gráfico. Como devemos lidar com a própria criação e a apropriação? Enfim, essa é uma questão que merece ser vista por todos que atuam na área, mas não é o foco desse post discuti-las.

A questão desse post é uma das coisas dentro dessa temática que caiu na minha mão semana passada. Um projeto chamado Livro Pirata que foi liderado pela artista Beatriz Bittencourt, onde é feita uma releitura do clássico História da Arte Européia do Gombrich. Foram convidados diversos artistas que ficaram responsáveis pelo redesenho de algumas páginas do livro.

O resultado é algo bem experimental cheio de liberdade de expressão que foge do contexto clássico e ponderado do livro para se transformar mais em um objeto de arte do que sobre arte.

Bem, no site do livro há uma versão em PDF para ser roubada e impressa por quem quiser. Resolvi então produzir o meu próprio volume, mas com algumas modificações.

O arquivo fornecido foi idealizado para ser encadernado a partir de folhas soltas e eu queria fazer utilizando cadernos. Também senti a necessidade de produzir em uma impressora A4 e o livro veio sem sangria e precisava dela pois minha impressora não é muito precisa no frente e verso. Então basicamente fiz quatro processos com o arquivo original:

  1. Importar o PDF para o InDesign, reduzindo o tamanho para um formato de caderno adequado ao A4; (usei um script que me ajudou nisso, o link pra baixar tá aqui!)
  2. Inserir uma borda preta externa as páginas que funcionaria como sangria;
  3. Colocar mais 2 páginas para fechar cadernos perfeitos já que o livro tem 126 e 128 páginas me permitiria trabalhar com cadernos de 16 ou 32 páginas mais tranquilamente e facilitaria a imposição
  4. Fazer a imposição e mandar bala na impressão e costura!

O resultado final segue nas fotos abaixo:

Slide 1
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Pra quem curtiu e quiser também se apropriar disso, disponibilizo aqui o arquivo para download com a imposição para a4:

http://www.4shared.com/office/LiHLCu_h/LivroPirata_Imposicao.html

Se alguém quiser se introduzir na discussão sobre apropriação recomendo dois documentários com legendas em português:

Everthing is a Remix

Good Copy Bad Copy

 

treinando um pouco de lettering

vinho

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