Parte do processo

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Hoje revirando alguns filmes aqui guardados procurando imagens interessantes para escanear que foram esquecidas encontrei uma tira do primeiro filme preto e branco que revelei. O filme foi feito para a disciplina de Fotografia do meu curso técnico de Design Gráfico na saudosa Etec. José Rocha Mendes. Eu fotografei algumas poses de um Kodak Tri-X 400 com uma SLR da Canon que não me recordo o modelo.

Olhando agora para esse filme e relembrando das aulas, ficou claro que foi nesse punhado de poses fotografadas e das horas gastas dentro do laboratório que surgiu a minha paixão pela fotografia analógica que persiste até hoje, que em breve pretendo abordar em um texto também.

Outra coisa que vejo, foi o surgir do meu gosto pelas imagens ao redor. Ao invés de procurar algum lugar diferente ou especial para queimar o filme eu preferi fazer o que faço até hoje. Usar da minha rotina como ponto de partida, onde fiz todas as fotos no bairro do Cambuci local onde eu fazia o curso de artes gráficas na época e que virou um pedaço da cidade de São Paulo importante na minha rotina por um bom tempo. A fotografia é uma forma muito efetiva de explorarmos as cidades como se fossemos eternos visitantes daquele espaço, como turistas que acabaram de chegar. Ao colocar a camera na frente do rosto a gente se desconecta do espaço e ao mesmo tempo refortalece o laço com aquele local, ainda mais quando trazemos locais que são de nosso convívio.

Um terceiro gosto que surge ao rever essas imagens é a busca pela ruína como algo bonito a ser explorado. As texturas já eram uma constante dos meus trabalhos daquela época (muito pela minhas referências), e é nas minhas fotografias analógicas que elas surgem com força, pela sujeira do próprio negativo, pela granulação (meus processos de revelação ñ são controlados, muito menos limpos) e também pelas imagens captadas. De certa forma num percursso de fotografia analógica mais permissiva aos defeitos do processo e sem rigor nos processos as texturas são coisas naturais que emergem em cada etapa do processo enriquecendo aquela imagem.

Para ver mais dessa minha paixão, fica o link do meu Flickr, onde as imagens são postadas:https://www.flickr.com/photos/terceiroolho/albums

 

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Hoje de manhã visitei a ocupação da Escola Estadual Profº Moacyr Campos (MOCAM) na zona leste de São Paulo, pois ontem ouve um recado do diretor  Claudemir Cruz que haveria aula, e que os alunos deveriam comparecer em conjunto com os país, pois a escola seria desocupada. Mediante a forte possibilidade de conflito policial resolvi passar na escola e acompanhar de perto, já que a escola foge do escopo da grande mídia.

Os alunos da ocupação, resistiram, porém o diretor conseguiu através do arrombamento de um cadeado adentrar a escola e permitir que alguns alunos entrassem, fazendo um discurso que colocava aluno contra aluno, e pais contra pais, o que é um absurdo.

Nesse momento um levantamento nos ânimos aconteceu entre os contra e a favor da ocupação, onde um homem que – já havia chamado a polícia para o local quando tudo estava totalmente tranquilo – com medo de ser agredido e sobre a alegação que estava passando mal reforçou o chamado a polícia para prestar seus “serviços”.

Com a chegada da polícia o clima obviamente ficou mais tenso, mas não houve conflito direto até pelo forte nível de opressão que 4 viaturas podem trazer para as pessoas. E por que obviamente nenhum dos ocupantes quer conflito, querem apenas um dialogo real e direto, e que não tenham que abrir mão de suas conquistas.

Por fim, ouve inicio a negociação e os ocupantes decidiram permitir que hoje houvesse aula para os alunos que foram. Uma média de 40 alunos que eu vi adentrar que com certeza vão ficar mais chateados por não ter lista de presença do que pela realidade de 94 escolas serem fechadas. Porém as ocupações irão seguir, e isso foi apenas uma trégua em respeito aos alunos que dizem querer ter aula.

Enquanto estava acompanhando, conversei com alguns alunos que estavam fora da escola aguardando a liberação para ter aula. Nas conversas era claro uma visão individualista sobre este momento, onde todos ali queriam saber se iam passar de ano, ou que teriam que vir para a escola nas férias para fazer reposição. Alias o argumento férias foi utilizado não somente por alunos, mas por pais também que não queriam perder a viagem de fim de ano.

O Moacyr Campos não está na lista das escolas que serão fechadas, então isso fortalece mais ainda o espírito individualista, já que a vida dessas pessoas não seriam afetadas diretamente, apenas continuariam com o ensino precário que já tinham. A falta de solidariedade, empatia e das reais consequências e impactos disso na sociedade não são levados em consideração.

Foi possível ainda ter que ouvir da boca de um pai – que o filho disse estar se lixando pra vida dos outros, que ele estava apenas preocupado com o futuro dele – que aquilo não tinha nada haver com política, apenas com alunos que queriam ter aula. E ai, a pergunta fica, que aula eles querem ter? Que aula eles tiverem? Por que, o desespero pra se ver livre de uma instituição? Com certeza todos sabemos que aula não é o motivo, é apenas uma hipocrisia.

Talvez pela primeira vez em muito tempo alunos estão dentro de escolas com um sentimento único e maior de pertencimento e emponderamento, são jovens de 15, 17 anos que entenderam que a escola é um espaço público e que ninguém é maior daqueles dentro desse prédio. Que a existência desse prédio só se dá pela existência deles, e que mexer com o direito de um é mexer com o direito de todos.

Assim como os alunos que ocupam o MOCAM não se omitiram ao que esta acontecendo, nós enquanto pessoas que vivem nessa sociedade também não devemos nos omitir.

A gente sempre se olha tentando se encontrar.

SeEncontrar

Nos dias 14 e 21 de fevereiro deste ano, participei da oficina Construção de Câmera Digital Artesanal (com sucata de scanner) no SESC Belenzinho ministrada pelo fotógrafo Guilherme Maranhão.

No primeiro encontro da oficina, basicamente foi mostrado quais são as partes uteis dentro de um scanner para construção de uma câmera simples. Abrimos alguns desses scanners, conhecemos suas mecânicas e funcionamento e montamos nossa câmera.

Experimentamos também a construção de um sistema que rotacionava a câmera a fim de produzir uma especie de panorâmica equirretangular. Um vídeo da engenhoca foi postado no vimeo do Guilherme Maranhão:

oficina 14/03 from Guilherme Maranhao on Vimeo.

Houve também um espaço ao final desse encontro para o dialogo a respeito da fotografia de scanner, onde Guilherme comentou uma metáfora bem interessante de que normalmente fotografamos um recorte de tempo de um espaço construído, ou seja, enquadramos uma imagem (espaço) e fotografamos ela por alguns milisegundos (tempo) e é isso. Já na fotografia de scanner essa relação é invertida, ou seja, fotografamos recortes de espaço no tempo. Ou seja, nesse tipo de fotografia por trabalharmos com um CCD linear ao invés de um retangular como nas câmeras comuns, necessitamos de um movimento seja da câmera ou do tema fotografado. Isso faz com que percamos o nosso recorte de espaço para um espaço que se constrói em conjunto com o tempo ou talvez, se desconstrói ao tempo.

Logo após esse encontro, cheguei em casa e parti para exploração de dois scanners que tinha ganhado a um tempo atrás. Um deles um Epson Perfection 1260 e um Hp 2200c, sendo esse segundo o recomendado na oficina (sortes do acaso). Comecei pelo Epson, retirando o que não precisa dele (motor, lampada, botões de controle, etc) e fiquei com o essencial, a placa de alimentação e a placa do ccd ainda embutida no carro principal do scanner. Nesse projeto tentei usar a própria lente do scanner e o carro dele como suporte para montar a camera. Liguei no computador e ele foi reconhecido! Produzi essa imagem com ela:

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A câmera montada final ficou assim:

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Mas infelizmente acabei queimando ela, desconfio que com uma ligação ao contrário do flatcable que conecta as duas placas.

No segundo encontro da oficina, centramos nossas conversas mais a respeito da tecnologia e sobre a fotografia em si. Guilherme também aprofundou a conversa em alguns dos seus projetos de câmeras com sucata de scanners (todos os detalhes ele posta em seu blog, que compartilho ao final deste post). Com essas novas informações construí minha segunda camera, dessa vez com um projeto um pouco mais “robusto”.

A ideia inicial era reaproveitar um corpo de uma antiga slr que tenho aqui que não está funcionando legal, mas como é uma câmera boa acabei ficando com dó “destrui-la” e parti para uma solução mais artesanal mas que permitisse usar uma lente com foco e diafragma. O caminho escolhido foi:

  • produzir todo o corpo da câmera reaproveitando retalhos de madeira aqui do estúdio;
  • usar uma tampa de fundo de lente vazada como encaixe para a lente;
  • parafusos para controlar a distância do CCD entre a lente (ideia retirada desse projeto do Guilherme Maranhão);
  • uma rosca na parte inferior para encaixe de tripé;
  • elásticos para fechar e abrir as tampas superior e lateral da câmera;
  • e por fim feltro e foam preto para isolar as aberturas.

Aqui segue uma imagens de como ela ficou:

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Tive que colocar uma tampa na lente pra entrar menos luz. A tampa tem um corte linear pois o ccd é linear também.

O único problema é que nessa lente em especifico eu tenho uma pequena trava que precisa ser pressionada para dar o controle do diafragma. Infelizmente ainda não consegui pensar um jeito de trava-la sem danificar a lente.

As imagens obtidas com ela ainda tem uma certa perda de cor no verde, sendo todas imagens geradas mais puxadas pro vermelho. Em um teste parecia até que tinha um filtro infravermelho acoplado nela.

Bem, segue aqui alguns resultados

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Para quem achou interessante esse processo super recomendo a visita ao site e blog do Guilherme Maranhão:

http://www.guilhermemaranhao.art.br/

https://refotografia.wordpress.com/

 

 

 

Gabri_ela

 

Começou sendo um não retrato, mas terminou sendo um retrato não tão parecido. Sobre ela já tem essa, essa e essa.

Política

po.lí.ti.ca 
sf (gr politiké1 Arte ou ciência de governar. 2 Arte ou ciência da organização, direção e administração de nações ou Estados. 3 Aplicação desta arte nos negócios internos da nação (política interna) ou nos negócios externos (política externa).

Da política na minha vida;

Eu não sei precisar quando a política entrou na minha memória na minha vida, mas pensando na minha criação, acho que foi sempre. Não é novidade para aqueles que me conhecem que meu Pai é militante do PT desde a fundação do partido e a minha Mãe apesar de não ser militante, sempre acompanhou as posições do partido. Foram deles que desde de cedo aprendi o quanto a política era importante para o destino do nosso país e para uma sociedade em que a igualdade e a liberdade são valores respeitados e levados a sério.

Apreendi claramente que política e outros assuntos (religião, sexo, drogas, etc) se discutem sim, com atenção, argumentos e novamente respeito. De meus pais nunca ouvi um simples vote no candidato tal, ou vote no candidato do fulano, ou um vote no PT. Sempre ouvi, argumentos, pensamentos e posições especificas sobre o que acreditar e o por que votar em tal partido.

Da política antes do primeiro turno;

Essa eleição com certeza foi a que eu mais li textos a respeito do assunto. Nesse momento da nossa história, com a internet ficou bem claro entender o quanto as pessoas tem preguiça de pensar em política e de usar a empatia. Como torcedores fanáticos e aflitos muitas palavras de ódio sobrepuseram a excelentes pensamentos.

Tomar uma posição é essencial e a pesquisa faz parte dela, não adianta nos rodearmos de pessoas que estão do nosso lado e negarmos os ouvidos e o coração ao outro lado. Li textos de ambos os lados, e eles só me ajudaram a entender melhor a minha posição e a compreender a posição do outro. Me ajudaram a entender que o bom da democracia é termos vários lados que se respeitem e que tenham o objetivo de uma país melhor, e um mundo com fronteiras menos hostis.

Da política e seu discurso vazio;

Essa foi uma eleição de muitos argumentos vazios. A corrupção que assola tristemente o país em todos os graus do poder foi vestida em um partido e teve 1 dono e 1 criador. Foi usada amplamente como argumento pela mídia para o fim do governo do partido atual, ignorando todos os casos assustadores de corrupção de outros partidos.

O argumento da falta de liberdade e a ditadura comunista, foi o mais surreal apontamento de todos. Estamos em um momento — que fortalecido pela internet — a comunicação é extremamente livre, as pessoas podem falar e esse é um direito de todos lados. Estamos bem distante de um governo comunista, e que não podemos confundir programas assistencialistas e distribuição de rende com comunismo. Vivemos em um país capitalista.

O ódio como um motivo, é uma representação cega que tem como base o preconceito na maioria das vezes e nos vela os olhos de coisas importantes que devemos conhecer. Dizer que não gosta, e generalizar todas os políticos e qualquer partido é se esquivar de assumir uma posição e da responsabilidade de suas escolhas

Da política e a mídia;

As mídias tem uma posição, e não há nada de errado em ter uma posição. O jornalismo sem viés é algo bonito de se dizer, mas só o fato de narrar uma historia escolhendo o que é importante e o que não é importante, o que é fato e o que não é, já traz um viés. A mídia pode assumir uma posição e ser clara com isso, não fingir ser a favor da neutralidade quando está apenas reforçando um lado, apoiando o jornalismo sem fontes, sem apuração e sem critério.

Outro ponto curioso foi a mídia pela internet. A internet apesar dos filtros do Google, Facebook, etc. que somente lhe entregam um conteúdo já baseado nas suas preferências é ainda a mídia de “quase massa” que é mais livre em seu conteúdo e graças a elas muitas informações que não são relevantes para a mídia televisa e principais meios da mídia impressa apareciam pela rede.
No fim, a internet se mostrou uma ferramenta poderosa para propagação de ideias, quem soube aproveita-lá teve resultados melhores do que quem se apoiou apenas nas outras mídias.

Da política e a segregação;

Ter lados, não significa ter inimigos. Escolher um candidato não pode ser um simples motivo de ódio ao outro e nem ao próximo. O Brasil está divido, mas não entre dois partidos e sim em outros valores, está dividido em classes sociais, em gênero, em cor e são essas divisões que dão credencial ao acesso a totalidade da vida baseada num triste preceito de meritocracia que só ajuda a segregar mais.

O desfecho dessa história pra mim lembrou uma excelente palestra de uma escritora chamada Chimamanda Adichie que assisti no TED, onde ela relata o mal que é conhecer apenas um lado de uma história.  Fica aqui o link para ela:

Chimamanda Adichie: O perigo da história única

 

Em uma eleição que meu pai tentava a candidatura a vereador em São Paulo, Eduardo Suplicy compareceu em uma simplória festa de aniversário de meu pai organizada no bairro em que moro a 25 anos na zona leste de São Paulo. Regada salgadinhos e refrigerantes Suplicy ministrou uma pequena conversa a respeito de suas últimas pesquisas sociais e cantou com a maior propriedade Racionais MC’s e Bob Dylan, um representando a juventude pobre e periférica desse grande mar de prédios e o outro representando a paz tanto desejada no mundo. Sua presença foi um grande exemplo da sua humildade e mostra a sua seriedade e respeito a todas pessoas, sem distinções.

Suplicy é uma pessoa que levou a transparência a figura de um político, coerente, ponderado e sempre dispostos a ouvir qualquer lado, seja qualquer for ele. A política aberta ao dialogo que foge do argumento do ódio é a melhor representação das ações de Suplicy.

Fica a singela homenagem ao nosso sempre bem vindo Eduardo Suplicy.

Suplicy

Meu Blog através de dados

Infográfico feito a partir do banco de dados do meu blog.

A ideia inicial era usar apenas ferramentas livres, mas acabou faltando o InkScape para finalização.

O banco de dados foi analisado e organizado usando o OpenCalc, o infográfico gerado no Nodebox e finalizado no Illustrator para acrescentar a legenda e outras informações.

 

Incisão

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