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Uma vez minha namorada me levou para passear na Universidade Estadual de Londrina, no Paraná onde ela cursa Design Gráfico. Entrei em poucas faculdades e universidades em São Paulo, talvez umas 3 ou 4 contando as que entrei para fazer o ENEM. Dessas a USP é a que posso estabelecer o paralelo para meu raciocínio.

Na USP, você tem que ter carteirinha ou estar com alguém que tenha para entrar, e quando digo entrar significa atravessar para dentro da universidade, não necessariamente entrar nos prédios. A Universidade é rodeada de muros e tem prédios mega distantes um dos outros que geram grandes hiatos de vazios estranhos.  Vazio esse que me causou certo incomodo até. No pouco período de tempo foi difícil tentar estabelecer uma relação de pertencimento ao lugar, talvez depois de um curso você se sinta com mais propriedade do espaço.

Então chegando na UEL, logo de cara procurei pelos tão comuns muros de São Paulo e vi apenas uma guarita com alguns guardas conversando tranquilamente enquanto adentrávamos a aquele espaço. A cada vez que avançávamos via corredores largos, prédios com um arquitetura simples que sumiam dentro das árvores. Bancos, espaços para cartazes, e cachorros que andam felizes para lá e pra cá.

Não estudei naquele local, mas me senti acolhido. E esse pensamento é o que deve ser remetido em uma universidade pública. Alias esse é o sentimento que todos os espaços públicos deveriam exalar.

Não é a presença de muros, vias para carros e policiais que irá fazer um lugar seguro para se transitar. Qualquer lugar esta sujeito as ações do mundo, e as ações podem ser pertencimento, de fazer parte e construir a parte. Se preocuparmos menos com o vandalismo que poderá um dia acontecer – ou nunca acontecer – e colocarmos a ocupação a frente acredito que teremos espaços públicos muito mais próximos do que é público de verdade.

No tempo que fiquei lá fiz algumas fotos. Segue o link para todas as fotos:

http://www.flickr.com/photos/terceiroolho/sets/72157635427645710/

 

 

 

Limão
Pera
Manga
Café
Ameixa
Uva
Assaí
Caqui
Lima
Mamão
Cajá
Abacaxi
Ingá
Imbu
Abricó
Amora
Morango
Maracujá
Cajú
Canário
Sabiá
Beija-flor
Maçã
Bacaba
Banana
-23,76499, -46,70496

a classe média não precisa de espaços públicos, praças e parques,
seu condomínio tem playground e piscina.

a classe média não precisa de segurança pública,
seu condomínio tem segurança 24 horas e muros altos.

a classe média não precisa de transporte coletivo,
ela tem garagem para 2 carros e vias, viadutos e trânsito ao seu favor.

a classe média não precisa de uma escola pública,
ela tem suas escolas particulares com educação de primeiro mundo.

a classe média não precisa de nenhuma política pública,
por que o mundo deve ser balizado pelo o que você pode pagar.

a classe média não precisa da cidade,
apenas que a cidade não invada seu espaço.

a classe média não precisa de comércio local,
ela tem um shopping a menos de 10 minutos de carro para resolver todos os seus problemas.

a classe média não precisa de hospitais públicos,
ela tem um convênio e uma rua com mil médicos dispostos a atende-la.

a classe média não precisa de valores,
pois ela tem uma conta no banco cheia deles.

Não querem você andando pelo bairro delas, não querem as pessoas nas ruas, não querem elas nos seus sagrados shoppings. Por que as cidades não devem pertencer as pessoas e sim a instituições privadas e ao abandono da vida.

Para os que chegaram até aqui esperando uma crítica ao corinthianos, talvez seja melhor procurar um outro blog para ler!

Já faz um tempo que queria falar sobre o Corinthians, e a forma como algumas pessoas lidam com isso. Anti-corinthianos, e ou qualquer coisa do tipo e quanto isso é uma espécie de preconceito mascarado com várias coisas.
Nasci na zona-leste de São Paulo e como muitas pessoas daqui fui corinthiano, mas crescendo fui largando de mão e hoje não acompanho absolutamente nada de futebol. Mas toda as vezes que vem as frases, “tinha que ser corinthiano”, ou “esses caras estragam o futebol”, ou coisas do tipo “pra mim não importa quem ganha mas sim que o Corinthians perca”, fico pensando por que tanto ódio?
Pra mim em uma análise rasa das coisas esse ódio vem de que a maioria deles são pobres e moram na periferia. Isso mesmo, xingar o negro, a periferia, pode ficar mal, mas o Corinthians que mal tem? Mas outros vão dizer, eles são chatos, estouram fogos toda hora, gritam e destroem a cidade em seus jogos, são um bando de ladrões. E ai eu penso, bem eles são uma das maiores torcidas do Brasil, é obvio que tudo que acontecer vai acontecer em maior escala. A única torcida organizada é a gaviões? Em toda briga são mais 1, será que apenas corinthianos são violentos?
Os únicos torcedores que não me deixaram dormir na minha vida, foram os São Paulinos. Vizinhos estes que não me deixam dormir não só apenas em jogos do São Paulo, mas em qualquer comemoração do ano. Então eu deveria odia todos os torcedores do São Paulo?
O mal não ta na camisa, mas sim nas pessoas. A violência não é o time, assim como a falta de respeito. Pessoas chatas existem, e elas estão em todos os lugares.
Até que ponto vale a pena alimentar um ódio por algo que na verdade você nem sabe ao certo? Até que ponto vale a pena torcer pela derrota e não pelas vitórias?

Estava voltando da faculdade para casa já no final do noite, como parte da rotina de retorno desci na estação alto do ipiranga da linha verde e comecei a subir as escadas. Antes de existir a estação pinheiros da linha amarela, essa pra mim era a estação de metro mais funda com seus 4 lances de escadas e arquitetura mega exótica onde luzes verdes adornam a estação dando a impressão de estarmos em um filme de ficção cientifíca.

Subindo as escadas lentamente começo a ouvir uma voz de uma mulher levemente exautada. Cada escada ia ficando mais claro a conversa que ela tinha possivelmente com algum funcionário do metro. No ultimo lance de escada a situação ficou clara, terminei de subir e estava fazendo o contorno em volta do grande vão central para ir para saida e assisti a cena com mais clareza. Do lado de fora atraz das catracas uma moça provavelmente com problemas no seu bilhete único (é o que usamos para pagar a passagem aqui em São Paulo) estava querendo entrar no metro e do outro lado um funcionário do metro ouvindo a calmamente e dizendo que não podia entrar.

Fiquei olhando a cena e ao sair pela catraca, passei meu bilhete único na catraca em que a moça estava. A passagem se abriu e a moça ficou olhando para mim, sinalizei para ela passar e ela ficou com uma cara meio perplexa e passou rapidamente pro outro lado e eu segui indo embora. Como quem se esqueceu de algo, ela gritou do lado de dentro, “Valeu moço!” e assim nunca mais vi a moça ou o funcionário do metro.

Existe alguém errado nessa situação? Eu, a moça ou o funcionário? De verdade não sei. A moça que estava indignada com o funcionário pois ia perder o trem e ter que se virar para chegar em casa, o funcionário estava obedecendo a simples ordem de que não podia liberar a catraca para ninguém exceto em algumas ocasiões que não era aquela  e eu tava passando e resolvi ajudar a moça. Todos nós de certa maneiras tinhamos razão para estar por lá naquele momento.

Foi essa situação que me fez pensar no valor do R$1,50 que passei naquela catraca. Com R$1,50 que é o valor da passagem de estudante em São Paulo não dá pra fazer muita coisa. Se pensarmos no condução inteira que é R$3,00 também não dá muita coisa, talvez comprar uns dois drops ou um salgado e um suco de pó. Mas ao mesmo tempo é o valor que precisa para chegar na sua casa, é o valor que criou uma barreira entre o que podia e o que não podia ser feito. Foi o dinheiro que naquele momento e em tantos outros que separou as pessoas e as impediram de fazer o que queriam ou ter o que precisavam.

Ok, exagerado puxar essa situação como exemplo, mas naquele momento que me veio um monte de discussões que já tive sobre dinheiro. Um amigo me disse uma vez que ve o dinheiro como uma energia que precisamos, com essa energia agente pode fazer o que quiser, seja para nosso bem ou para mal.

De certa maneira essa energia que nós ajuda a trilhar nossos caminhos nesse mundo, algumas pessoas usam suas vidas pautadas nesses limites gerados pelos dinheiros. E ai vem as pirações de tenho que guardar dinheiro, tenho que ter dinheiro, preciso do dinheiro. E nesse momento de tantos precisos e quero que me vem a mente o pensamento de Vilam Flusser sobre o nosso mundo codificado.

Vivemos em um mundo baseado em códigos, transmitimos mensagens o tempo inteiro, por olhares, gestos, palavras, textos, videos, e varias outras formas. Essas mensagens são mundos pararelos, foram criados por nós e não fazem parte da realidade, esses códigos analisando friamente não tem poder sobre nossas vidas. Se falamos algo não necessariamente aquilo irá acontecer. E nesse mundo de códigos e sinais, o dinheiro é mais um elemento, criados por nós com um valor imaginário associado.

Realmente não sou contra o dinheiro, muito menos contra o consumo ou venda de coisas, mas eu acredito que nossas relações com esses mundos precisam ser pensadas. Existem outras coisas que estão no mundo e que são bem maiores que valores monetários, que existem em uma realidade mais tangivel, essas coisas existem no mundo das relações. Nós vivemos nesse mundo, e não somos presos a essas realidades criadas pelo valor do dinheiro. O dinheiro entra nessa mundo para criar uma especie de jaula que nos dita nossos limites, mas o que não percebemos muitas vezes é que o dinheiro é apenas um fluído. Ele está sempre ai circulando, não devemos tentar para-lo, muito menos guarda-lo pois se não apenas morreremos afagados.

Estar nos meios é melhor que procurar os extremos.
Um projeto de design ou de qualquer outra coisa não é minimalista ou rico em grafismos. Um projeto é o que ele precisa ser.

 

Na informática, conforme utilizamos um disco de armazenamento as informações vão sendo gravadas nos espaços vazios. Na medida que deletamos, modificamos e movemos informações, aquele espaço continua vago e pronto para ser ocupado por um outro arquivo. Os arquivos que são alocados nesses espaços ficam fragmentados, suas partes são separadas e o computador leva mais tempo para ler o dado, já que tem que juntar os pedaços. Desfragmentar o disco, algo que era muito comum a tempo atrás significada rastrear toda a unidade de armazanamento mapeando os dados e reagrupando os dados fragmentados para melhor a perfomance do computador.

Final de ano e aniversário (que no meu mundo são datas relativamente próximas) são momentos bom para fazer a mesma coisa. Cada vez mais eu sinto dificuldade de organizar e lembrar de informações, acho que meu cérebro precisa mais do que tudo de uma pausa. Intensa. Pegar todos os fragmentos de dias vividos, momentos imaginados e desejos esquecidos e alinhar.

Talvez essa relação de discos e cérebros rendam algum projeto.

No título o tempo se refere ao presente. Ontem assistindo a uma apresentação de um projeto de Identidade Visual na faculdade ouvi de Cláudio Ferlauto quando digiria seus comentários sobre o trabalho apresentado algo que faz muito sentido, não vou lembrar exatamente as palavras, mas era algo assim “Não usem  Frutiger, Helvetica, Univers, Bodoni, existem tão bons tipografos e type foundries. Usem fontes do seu tempo.”Isso pra mim é uma grande lucidez como profissional, geralmente esperamos ouvir o contrário de designers mais velhos e consagrados. E o pior é ouvir de designers mais novos que o velho é sempre bom, e vem a mente os versos de Belchior pra complementar isso. Não sei se o que ele quis dizer é nesse sentido nessa canção, mas é sempre este sentido que fica na minha cabeça quando ouço.

Nossos ídolos

Ainda são os mesmos

E as aparências

Não enganam não

Você diz que depois deles

Não apareceu mais ninguém

Você pode até dizer

Que eu tô por fora

Ou então

Que eu tô inventando…

 

Mas é você

Que ama o passado

E que não vê

É você

Que ama o passado

E que não vê

Que o novo sempre vem…

Nos temos essa mania de idolatrar o passado não como referência mas como verdade. Acredito que devemos ter consciência do passado para construir com ele, moldar ele e transformar ele em prensente. Adoção do passado como verdade maior e única, pra mim é um grande engano daqueles que não sabem admirar as belezas do presente.

Eu e minhas escolhas, o meu maior juízo. Tudo é uma balança. Passo um, passo dois, passo três. Escolhas podem ser certas e podem ser erros. O resultado dela não afeta sua natureza. Se o passo foi pra frente ou pra trás ele foi dado e isso é o fato. E de fato não nos escondemos. De erros então não fugimos.Assim como meu sábio irmão disse uma vez pra mim e me fez pensar bem mais, “escolhas não são sentenças”. Elas são imutaveis sim, não se desfaz uma escolha, mas se faz uma nova sempre. É ai de onde saimos do engano, do erro e construímos novas possibilidades.
Resgatei a um tempo atrás a ilustração, o desejo de rabiscar e agora resgato com mais força o desejo de me retratar. Muitas vezes por ego, mas muito mais por que falo de mim. Eu aprendi a me expressar dessa maneira. Construir minha imagem em cima dos meus erros e foram muitos desses retratos que me fizeram experimentar.
Somos figuras mutantes. Imprecisas, cheia de diferenças.

Arranquei um cabelo seu para guardar comigo sua beleza. mas esqueci que isso te fazia sentir a dor.

 

(encontrei nos meus rascunhos e tenho dúvida se sou eu autor)