Parte do processo

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Em agosto deste ano ministrei um curso sobre design computacional utilizando o software NodeBox 3 (falei um pouco dele aqui neste postão). Como parte dos estudos que desenvolvi durante o preparo do material do curso, surgiu a ideia de fazer algumas animações utilizando apenas formas geométricas básicas (círculo, quadrado e triângulo).

Fiz quatro animações para cada forma, onde cada uma dessas animações tinham quatro variações de cor e proporção, totalizando 48 vídeos.

Com todos esses vídeos a primeira ideia que tive foi tentar encontrar uma forma edita-los de acordo com uma música utilizando algum outro software de programação ou de VJ.

Como iniciei o projeto utilizando um software código aberto, queria que todos os softwares envolvidos diretamente no processo do projeto também compartilhassem desse mesmo tipo de licença.
Sendo assim comecei a buscar softwares de VJ capazes de alternar os vídeos seguindo o BPM das e frequência da músicas. Por não conhecer muito de música e video, essa procura não deu muitos resultados. O software que chegou mais perto do que eu imaginava era o Ableton Live que é pago, mas tem um recurso interessante de lidar com clips de vídeo da mesma forma que lida com clips de áudio.

Pela programação a única ferramenta que sei manipular um pouco e que seria capaz de fazer isso era o Processing, mas logo nos primeiros testes vi que ele teria dificuldade para carregar e alternar os vídeos sem muitos atrasos.

Não conseguindo encontrar algo automático ou programar uma solução própria, achei que o melhor para não deixar o projeto engavetado por um tempo seria editar manualmente o vídeo. Nas buscas por um software bacana de edição código aberto, encontrei duas indicações o OpenShot e o Kdenlive.

Comecei testando o OpenShot, mas tive alguns problemas de performance quando comecei a inserir muitos vídeos então fui para o Kdenlive, que me agradou muito. Já tinha ouvido falar dele rodando em Linux, porém não sabia da sua versão beta para Windows. Por se tratar de uma versão de teste esperava encontrar uma certa perda performance e instabilidade, porém foi tudo tranquilo. Os vídeos rodaram com pouca defasagem e o sistema de edição é bem parecido com o Adobe Premiere que estou acostumado a trabalhar. Gostei bastante dos atalhos e da flexibilidade da interface.

Com esse projeto consegui sentir melhor o potencial do Nodebox 3 para criar animações com gráficos vetoriais, e que mesmo não sendo o método mais prático o fato de você conseguir parametrizar rapidamente diversas variáveis faz dele uma opção interessante para outros projetos desse tipo. O Kdenlive se mostrou com um potencial enorme de se tornar meu programa de edição principal.

O resultado pode ser visto no vídeo abaixo:

Formas from Guilherme Vieira on Vimeo.

Todo os arquivos do projetos estão disponíveis nesse repositório do GitHub:
https://github.com/guilhermesv/Formas

Mais imagens desse projeto:

https://www.behance.net/gallery/58421461/FORMAS

Aviso aos desavisados

  1. Esse não é um texto para desbancar a suíte Adobe (ainda);
  2. Não tenho nada contra a programas, sistemas ou serviços que se estabelecem através da venda de licenças comuns, acredito que se o programa ou serviço atende a sua necessidade e custa um montante que você pode pagar, nada mais justo do que pagar por ele;
  3. Esse texto falará muito mais de escolhas pessoais do que profissionais, porém alguns pontos servem para os dois lados do meu trabalho;
  4. Eu falo sobre programas que eu posso baixar e utilizar gratuitamente, que podem tanto apenas não ter um custo para uso pessoal ou comercial, ou podem ser código-aberto ou então livres. Esses três tipos de softwares – gratuitos, código-aberto e livre – não são as mesmas coisas, e uma boa explicação das diferenças entre eles podem ser encontradas nesse link: http://www.infowester.com/freexopen.php.
  5. Caso você queira saber sobre os programas que eu uso, pode ir direto para a parte 2 deste texto!

Agora pode pegar uma xícara de chá, colocar a cadeirinha no sol e espero que tenha uma boa leitura! 🙂

 

Parte 1

A baixa popularidade de programas não proprietários no design

Já a bastante tempo sou um entusiasta de programas livres e/ou código-aberto, muito pela cultura que gira em torno disso do que pelo fato que mais atrai as pessoas que é o de fato de serem em sua maioria “de graça”. Faz um tempo também que tento inserir de forma mais consciente ferramentas desse tipo no meu dia a dia de trabalho, por isso resolvi escrever esse texto.

Uma das grandes inverdades que existe sobre programas gratuitos, código-aberto e livres é que eles não atendem a critérios profissionais e por isso não são utilizados amplamente. Softwares como o Blender é uma prova de quem utiliza esse argumento contra esse tipo de software pesquisou pouco. Acredito que as principais barreiras para uma ampla utilização de um programa desse tipo é o hábito, dificuldade de abandonar uma antiga rotina de trabalho e adotar uma nova; a falta de interesse em conhecer ferramentas desse tipo e; falta de incentivo nas redes de ensino (nesse ponto me refiro somente as redes de ensino da área em que atuo, que é design).

Nós temos o costume de criar apego aos softwares comerciais que usamos. Durante um bom tempo para agilizar meus projetos pessoais de fotografia utilizei o Adobe Lightroom. Com o passar do tempo fui produzindo menos fotos e usando menos o Lightroom no tratamento até que percebi que usava ele apenas para importar as fotos para meu computador. Foi aí que me dei conta que estava usando um programa que tinha em torno dos seus 4gb para fazer a simples função de importar fotos dos meus dispositivos para meu computador. Ou seja, não estava usando nem 1% do potencial do programa e o tinha instalado em minha máquina apenas por já saber como funcionava e ter uma boa interação com o software. Mesmo eu já nessa época sendo um forte entusiasta da cultura do software livre, utilizava uma ferramenta proprietária que não era intrínseca ao meu processo de trabalho apenas pelo hábito de usá-la, então eu percebi nisso uma ótima oportunidade de inserir um novo programa na minha rotina e que não envolvesse maneiras “alternativas” de conseguir a sua licença.

No ano passado eu quis voltar a mexer com algum programa 3D e para isso ia precisar dedicar algumas horas de aprendizado já que as minhas experiências com esse tipo de ferramenta tinham sido a muito tempo atrás. Na época comecei a pesquisar sobre o Cinema4D, que é um software proprietário incrível e acredito que seja hoje em dia uma das ferramentas mais queridinhas dos designers. E no meio dessa pesquisa me lembrei do Blender, que tinha tido um primeiro contato bem assustador e que sempre ouvir sem um software bom mas que tinha uma interface complicada. Resolvi então pesquisar novamente sobre ele também, e uma das formas mais rápidas de pesquisa que faço para ver se um software me atende é ver o que fazem com ele; fui no antro da cultura visual dos designers o Behance e busquei alguns trabalhos. No meio de um monte de projetos incríveis encontrei um brasileiro fazendo exatamente o tipo de trabalho que eu gostaria de desenvolver na época. Mandei uma mensagem pra ele perguntando sobre o programa, trocamos algumas ideias e resolvi encarar o Blender. Ao começar a usar o programa, consegui em poucas horas de estudos resultados que já me eram excelentes e hoje uso ele como meu software 3D principal. Então, é muito comodo ao começarmos a buscar uma nova ferramenta, simplesmente ir para a qual é mais utilizada no mercado proprietário, ignorando totalmente os produtos que seguem outra lógica de distribuição e as vezes tendo que fazer um investimento em algo que não precisávamos de fato.

Por fim, acredito que o último motivo da minha lista – a falta de incentivo ao uso de ferramentas com esse tipo de distribuição – é um dos que mais contribuem para o baixo alcance dessas ferramentas no design gráfico. Desde minha experiência no ensino técnico até a faculdade tive contato com apenas uma ferramenta livre, ou seja durante 8 anos dedicados ao estudo do design houve apenas um único incentivo à ferramentas não proprietárias. E ainda esse único incentivo veio na faculdade, se esse tipo de pensamento fosse inserido no ensino técnico talvez muito mais pessoas pudessem incorporar de fato ferramentas livres na sua rotina de trabalho. Muita vezes o que se pode pensar é que, ao incentivar o uso dessas ferramentas, o estudante pode ficar distante da realidade do mercado, mas esse argumento não é muito válido pois é possível encontrar situações em que caberia o uso de ferramentas livres como por exemplo o programa código-aberto Krita, que vem mostrando excelentes resultados no campo da ilustração e colorização digital. E particularmente também acho um argumento ruim já que acredito muito mais que uma instituição de ensino tem que puxar o mercado e não seguir o mercado.

Um outro exemplo claro de oportunidade para utilização de softwares não proprietários na educação foi na minha graduação. Nas aulas de tipografia criamos uma fonte desenhando todos os glifos em um arquivo do Illustrator e depois copiamos e colamos cada uma das letras para o FontLab que é um editor de fontes proprietário muito famoso no mercado de design de tipos. Depois de transportar cada glifo manualmente para dentro do programa, usamos ele apenas para automatizar os acentos, acertamos os espaçamentos e gerar o arquivo final da fonte. Todo esse processo poderia ter sido facilmente realizado no FontForge que é editor de fontes livre e código-aberto.

Existem outros pontos além desses que citei, porém acredito que esses sejam os principais para impedirem um amplo uso de softwares livres e/ou código-aberto. Para ampliar a visão sobre esses ferramentas fiz uma lista das principais que utilizo atualmente que se encaixam em algum dos tipos de licenças citadas no início deste texto (gratuitos, código-aberto e livres). Durante meu dia a dia quando necessito de alguma ferramenta para auxiliar em alguma tarefa sempre busco primeiro soluções não proprietárias, então acabo tendo diversos programas instalados em minhas máquinas, porém preferi fazer uma lista dos que eu utilizo com mais recorrência em minha rotina de trabalho pessoal e profissional.

 

 

Parte 2

Ferramentas não proprietárias na minha rotina

Greenshoot

É um programinha livre e código-aberto que faz a simples tarefa de potencializar o pobre printscreen do Windows. Ele permite ao usuário fazer capturas de regiões da tela, janela de algum aplicativo e tela inteira – cada um com seu atalho próprio customizado – e ao utilizar alguns desses modos ele tem a opção de abrir automaticamente um menuzinho fantástico com coisas que são possíveis de se fazer com aquela imagem, como: salvar diretamente na sua pasta de captura, abrir em algum editor, área de transferência, subir a imagem para algum serviço, abrir no Paint e outras!

Menu suspenso do programa Greenshot que abre automaticamente após a captura de uma imagem com as diversas opções de saída.

Menu suspenso do programa Greenshot que abre automaticamente após a captura de uma imagem com as diversas opções de saída.

Caso opte por guardar a imagem ela recebe um nome baseado na janela principal ativa, mais a data e horário de quando foi feita e salva no formato e qualidade especificado por você.

Outra coisa legal é que no momento da captura ele também mostra a dimensão da imagem (as vezes uso esse recurso para medir coisas na tela) e tem uma pequena lupa a direita para auxiliar a fazer um crop preciso.

Momento da captura de imagem com o Greenshot, onde ele mostra a dimensão da captura e ao lado uma lupa que amplia o ponto atual do cursor para ajudar na precisão do crop.

Momento da captura de imagem com o Greenshot, onde ele mostra a dimensão da captura e ao lado uma lupa que amplia o ponto atual do cursor para ajudar na precisão do crop.

NotePad++

O NotePad++ é um programa livre e código-aberto para editar texto ou código, suporta diversas linguagens de programação e possui uma série de plugins que aumentam suas funcionalidades parecidos com outros editores como SublimeText, Atom e Brackets. Ele não tem uma cara tão moderninha quanto seus similares, mas é um excelente software!

Um dos recursos que mais uso nele é o plugin de FTP que me permite deletar, criar, mover e subir arquivos no servidor e também baixar os arquivos para edição que são atualizados no servidor automaticamente após salvar o arquivo. O Atom e o Brackets tem plugins parecidos, mas nenhum deles funcionou tão bem e possui uma configuração tão simples quanto o do Notepad++.

Interface do programa Notepadd++, ao lado esquerdo é possível ver o plugin de FTP em execução exibindo a árvore de diretórios do servidor e abaixo um console que mostra os pedidos feitos feito ao servidor.

Interface do programa Notepadd++, ao lado esquerdo é possível ver o plugin de FTP em execução exibindo a árvore de diretórios do servidor e abaixo um console que mostra os pedidos feitos feito ao servidor.

Outros dois plugins interessantes para se ter instalado é o Quick Color Picker que adiciona uma pequena visualização da cor de um código hexadecimal e permite altera-la através de color picker e plugin Emmet que agiliza a escrita de códigos HTML e CSS através da utilização de pequenas expressões que guardam modelos ou geram códigos maiores, como nos exemplos abaixo:

Exemplo de utilização do plugin ColorPicker que exibe a baixo do código hexadecimal da cor uma faixa representando ela. Possibilita a seleção de outras cores usando um seletor de cor.

O plugin ColorPicker exibe a baixo do código hexadecimal da cor uma faixa representando ela. Possibilita a seleção de outras cores usando um seletor de cor.

Exemplo de utilização do plugin Emmet: na janela da esquerda duas expressões abreviadas e a direita o resultado expandido.

E o último ponto interessante do Notepad++ é o suporte que ele tem para utilizar expressões regulares, que é uma forma mais dinâmica de encontrar e substituir “cadeias” de caracteres utilizando pequenas expressões. Isso é muito útil quando você tem um arquivo de texto e precisa fazer algumas modificações nele, como por exemplo colocar todas as ulr que apareçam nele entre parênteses.

O InDesign tem sua própria variante das expressões regulares, porém algumas vezes não é tão funcional quanto como em um programa de edição de código. Por exemplo, em um projeto recente precisava transformar uma lista de bairros em um texto corrido inserindo um caractere de espaço em branco entre todas as letras da lista e sem ter espaços duplicados, dessa forma:

Para isso eu fiz duas buscas e substituições pelo Notepad++

  1. Primeiro busquei “\s” que encontra qualquer espaço em branco e substitui por nada, assim apaguei todos os espaços entre os nomes dos bairros.  
    Lista de bairros crua.

    Lista de bairros crua.

    Usando a expressão regular "\s" substitui todos os espaços em branco por nada, fazendo com que todos os nomes da lista se juntassem em uma grande linha.

    Usando a expressão regular “\s” substitui todos os espaços em branco por nada, fazendo com que todos os nomes da lista se juntassem em uma grande linha.

  2. Na sequência busquei por qualquer caractere do texto com a expressão “(.)” e substitui o caracter encontrado pelo próprio caracter mais um espaço em branco com a expressão “\1 “

 

E pronto, em alguns segundos eu tinha a lista pronta para usar em meu projeto. No InDesign não é possível fazer o segundo passo que fiz utilizando regex.

Esses são alguns das funções que mais uso no Notepad++, e pela minha experiência com ele, acredio que para quem não tem muitas pretensões e busca um programa bem direto e fácil de configurar para editar códigos e texto, ele é uma boa escolha.

 

NodeBox

O NodeBox é uma ferramenta código-aberto para design generativo baseado em nós – que é uma abordagem de programação através de pequenas funções conectadas umas às outras, montando uma estrutura que se assemelha a uma rede de nós – onde cada um deles tem seu conjunto de entradas de dados e saída de dados. A estrutura de nós permite uma prototipação rápida de ideias simples, pois não necessita da criação de códigos escritos e permite um controle mais dinâmico sobre os resultados, diferente dos programas de desenho vetorial comuns. Para não ficar limitado apenas aos nós oferecidos por padrão, o programa permite aos usuários avançados a possibilidade de programar seus próprios nós.

Por padrão o NodeBox já dá saída para PDF, PNG e consegue produzir animações além de imagens estáticas tanto como uma sequência de imagens como direto em um arquivo MP4. Isso facilita bastante pois não é necessário instalar ou configurar nenhuma biblioteca externa para começar a produzir.

Interface do Nodebox 3: a direita temos dois painéis, o de baixo é onde criamos os nós e o de cima as configurações daquele nó. No lado esquerdo temos sempre em tempo real a visualização do código.

A interface do Nodebox 3 é bem simples, a direita temos dois painéis, o de baixo é onde criamos os nós e o de cima as configurações daquele nó. No lado esquerdo temos sempre em tempo real a visualização do código.

Janela do programa Nodebox 3 com um barras coloridas que se movimentam como uma onda no lado esquerdo da janela e a direta a configuração dos nós usados.

Com alguns nós já é possível obter animações simples.

Acho esse programa uma ótima porta de entrada para quem quer aprender algum tipo de programação e não sabe por onde começar. Pelo fato de deixar várias funções prontas para o usuário e o resultado da combinações aparecer na tela ao lado em tempo real, é muito fácil começar a associar nós, ir improvisando lógicas e com poucos nós obter resultados bem interessantes e dinâmicos.

O NodeBox também é um excelente programa para gerar gráficos, utilizo ele para isso nos meus experimentos pessoais e também em projetos para clientes. Consigo gerar todo gráfico e estilizá-lo utilizando os próprios nós fornecidos pelo programa ou exportar um PDF e utilizar um programa vetorial para edição, estilização e finalização.

Gráfico de barras dispostas radialmente analisando dados retirados do meu blog, como número de posts, comentários, hora de publicação entre outros.

Visualização dos dados extraídos do meu blog.

Dois gráficos de barras com dados de desempenho de diversas nações na WorldSkills Competition.

Gráficos feitos para a WorldSkills.

Como disse, ele também é um excelente programa para prototipagem rápida de ideias que envolvem códigos, no meu trabalho de graduação que envolvia a criação de uma tipografia digital dinamicamente quase todos os estudos iniciais foram testados primeiro no NodeBox.

tcc-2Estudos TCC em Nodebox

tcc-3

Estudos desenvolvidos para o TCC

 

Processing

O Processing é um aplicativo código aberto e uma linguagem de programação voltada às artes visuais e como foco em ser uma linguagem de introdução ao universo dos códigos. Por ser desenvolvido desde 2001 e com uma comunidade bem ativa, é possível encontrar diversas bibliotecas que auxiliam na manipulação de gráficos vetoriais, interação com sensores, áudio e outras possibilidades. Além disso possui uma documentação bem completa sobre sua utilização. As possibilidades com o Processing são praticamente infinitas e uma simples busca na internet ou um passeio pela paginas deles já é possível ver isso.

Assim como o NodeBox eu ainda não tive muitas oportunidades de utilizá-lo em projetos comissionados, apenas para em trabalhos acadêmicos e pessoais, mas existem diversos estúdios que trabalham com ele para gerar gráficos, imagens, áudio e vídeo dinamicamente.

Cartaz para o Ibrasatope. O grafismo foi gerado a partir de uma imagem onde o código substituía uma porção de pixel da imagem por um módulo dependendo da intensidade do brilho daquela porção de pixels.

Cartaz para o Ibrasatope. O grafismo foi gerado a partir de uma imagem onde o código substituía uma porção de pixel da imagem por um módulo dependendo da intensidade do brilho daquela porção de pixels.

Projeto acadêmico desenvolvendo uma proposta de capa generativa para a banda Nação Zumbi. Cada capa possui um conjunto geradas no Processing.

Projeto acadêmico desenvolvendo uma proposta de capa generativa para a banda Nação Zumbi. Cada capa possui um conjunto geradas no Processing.

Ao contrário do NodeBox, a curva de aprendizado do Processing é um pouquinho mais íngreme, mas nada assustador. A linguagem possui diversas funções pré-definidas que já dão uma boa liberdade, e a grande vantagem é que ele permite um nível de interação com o usuário bem grande. É muito fácil criar um código e interagir com ele em tempo real através de diversas entradas, como mouse, teclado, webcam, microfones e placas com microcontroladores como o Arduino. A maioria dessas possibilidades é possível experimentar logo quando baixa o programa ao ver a biblioteca de exemplos deles.

 

Código simples em Processing que captura a posição do mouse e a utiliza como coordenadas para desenhar um círculo na tela.

Código simples em Processing que captura a posição do mouse e a utiliza como coordenadas para desenhar um círculo na tela.

No meu caso aproveitei bastante essa facilidade de interação com usuário do Processing em meu TCC. Como havia dito queríamos produzir uma tipografia digital dinamicamente, mas além disso tínhamos o objetivo de fazer com que fosse possível manipular algumas variáveis dela em tempo real e interagisse com o usuário. Isso foi feito em uma instalação que consistia de uma sala com um projetor, um computador, caixas de som e uma webcam. Uma frase escrita com nossa fonte era projetada na parede, só que totalmente ilegível. Quando o visitante se aproximava da projeção a tipografia ia se tornando mais legível, quando fazia algum som muito alto, a fonte ganhava um ruído em seu contorno e trocava a frase que estava sendo projetada. Tudo isso era comandado por um código em processing que ficava analisando em tempo real as imagens e sons capturados pela webcam. No vídeo abaixo dá para ver a instalação funcionando:

Enfim, se você quer começar a brincar com linguagens de programação textuais para expandir o seu campo de ideias o Processing é um bom lugar para isso também, o que não falta na internet é tutoriais e informações a respeito.

 

FontForge

Esse é um programa meio renegado pela sociedade, principalmente pelos designers de tipo.  O FontForge é um editor de fontes código aberto que foi desenvolvido inicialmente e durante um bom tempo como um projeto pessoal do programador George Williams e ficou muito anos meio que nas sombras até ganhar mais visibilidade no mundo da tipografia com o surgimento cada vez maior de fontes livres e pelo investimento do designer Dave Crossland em divulgar o programa.

A sua impopularidade na comunidade do design é que até pouco tempo ele não possuía um instalador bom, sua interface não é muito comum e ele é meio instável. Mas em contrapartida ele possui a maioria das funções básicas de um bom editor de fontes, como editar os espaçamentos, criar classes de kerning, automatizar transformações (rotacionar, mover, escalonar) em lote nos glifos, criação automáticas de diacríticos e suporta programações de recursos OpenType.

Ele também possui uma excelente documentação no site Design with FontForge que é praticamente um curso básico de design de tipos digitais.

Eu acredito fortemente que para projetos simples de design ele é um excelente programa, já desenvolvi um projeto de uma tipografia experimental nele em uma oficina ministrada pelo Marcelo Magalhães. Aliás o Marcelo é um grande entusiasta da ferramenta, apesar de não utilizá-la em todos os seus projetos, ele desenvolve um trabalho bem bacana na sua oficina Tipografia Libre ministradas no SESC. Também já utilizei ele para coisas simples como editar algum glifo, inserir um acento e converter uma fonte para outro formato (se for utilizar ele para fazer isso, verifique na licença da sua fonte se esse tipo de alteração é permitida!!).

 

Fonte desenvolvida com FontForge durante o workshop Tipografia Libre com Marcelo Magalhães.

Fonte desenvolvida com FontForge durante o workshop Tipografia Libre com Marcelo Magalhães.

Um exemplo de projeto simples que desenvolvi nele foi a identidade visual do primeiro FIME – Festival Internacional de Música Experimental no meu estúdio. O festival tinha o ruído como tema, para trazer isso para identidade criamos uma fonte que ao invés de possuir o desenho normal das letras do alfabeto possuía um padrão de linha para cada letra. Essa fonte ilegível foi utilizada em textos que falavam sobre ruído, festival e música gerando um conjunto de grafismos que foram utilizados no fundo das peças desenvolvidas.

Fonte criada no FontForge para a identidade visual da primeira edição do Festival Internacional de Música Experimental. Cada letra da fonte foi substituída por um padrão de linhas.

Fonte criada no FontForge para a identidade visual da primeira edição do Festival Internacional de Música Experimental.

Também digo que ele pode ser uma ótima ferramenta para utilizar academicamente pois o aluno não vai precisar adquirir uma ferramenta proprietária para desenvolver um projeto – que pode ser até o único que ele vai desenvolver na vida – e ele vai conseguir aprender todos os conceitos básicos de desenvolver um tipo digital.

Apesar de nunca ter me aventurado nisso, sei também que é possível desenvolver fontes nele a partir de programação e até mesmo utilizá-lo por linha de comando para converter, aplicar efeitos, editar informações entre outras coisas em um arquivo de fonte ou de uma família.

 

Blender

Talvez esse seja o programa que mais tenha me surpreendido nesse mundo de código-aberto e seja o programa com esse tipo de licença que mais uso no meu dia a dia profissional. O Blender é uma suíte de criação 3D, podendo trabalhar com modelagem, rigging, animação, simulações, renderização, composição, motion tracking, edição de vídeo e criação de jogos e é amplamente utilizado por estudantes e profissionais. Todo ano eles lançam um demoreel sobre o seu render padrão que mostra o tamanho do seu potencial, que pode ser assistido aqui.

 

Ilustração de lâmpada de luz negra feita no Blender 3d.

Um dos primeiros trabalhos que fiz no Blender com um resultado bem satisfatório.

Como todo programa 3D ele tem uma curva de aprendizado bem íngreme, mas que é suavizada pela enorme quantidade de sites, livros, tutoriais que você consegue encontrar na internet. Acho que a principal barreira dele é a sua interface, que inicialmente assusta um pouco mas também ela se torna sua amiga já que é totalmente customizável, assim como todo o software também é. Você pode dividir a janela do programa em quantas quiser, posicionar abas de ferramentas onde precisar, ajustar todas as cores da interface, e se souber programar em python criar suas próprias ferramentas.

Interface do Blender com a configuração padrão. A janela é divida em vários painéis que podem ser modificados e subdivididos para colocar outros painéis.

Interface do Blender com a configuração padrão. A janela é divida em vários painéis que podem ser modificados e subdivididos para colocar outros painéis.

 

Essa possibilidade de programação leva a outro ponto interessante do Blender, por ser um programa código-livre e ter uma comunidade ativa, muita gente desenvolve excelentes add-ons que aumentam as possibilidades com o programa ou facilitam seu uso.

Atualmente eu uso muito o Blender para fazer alguns experimentos gráficos, mas principalmente para desenvolver protótipos de projetos para apresentar para clientes. Posso dizer com total segurança de que se você precisa de um programa para desenvolver mockups ele consegue facilmente te atender.

Simulação peças desenvolvidas para o Coletivo Sobrinho com 3D feito no Blender e texturização no Photoshop para facilitar a edição.

Simulação peças desenvolvidas para o Coletivo Sobrinho com 3D feito no Blender.

Quando você consegue quebrar o gelo do primeiro contato com o programa, entender o por que de algumas lógicas de interfaces que parecem confusas inicialmente, o uso dele vai se tornando mais natural. Há um tempo atrás se me perguntassem a respeito de bons softwares 3d para começar com certeza minha indicação seria 3ds Max e o Cinema 4d, mas com um pensamento mais aberto e sabendo todo software 3d tem sua barreira inicial no aprendizado o Blender seria a minha primeira indicação, até por que ele não tem um custo inicial para você começar a utilizar ele em seus projetos profissionais enquanto os outros exigiriam a compra de um licença.

 

NexusFont

O último programa da minha lista é o NexusFont, um gerenciador de fonte gratuito que faz bem o que se propõe a fazer. Ele possui o básico do que se espera de um programa desse tipo, que é visualizar, comparar e utilizar as fontes sem a necessidade de instalá-las no sistema. Essa última função pra mim é essencial e é muito difícil de encontrar em gerenciador de fontes gratuitos que na maioria das vezes acabam sendo apenas visualizadores das fontes instaladas no sistema.

Janela do gerenciador NexusFont, ao lado esquerdo temos a lista de fontes, ao lado direito a visualização e no topo diversas configurações como o texto, tamanho de fonte, suavização, entre outras.

Janela do gerenciador NexusFont, ao lado esquerdo temos a lista de fontes, ao lado direito a visualização e no topo diversas configurações como o texto, tamanho de fonte, suavização, entre outras.

 

Além dessas funções básicas, ele também permite que você teste as fontes com a combinação de cores que você quiser de fundo e preenchimento, o que é muito bacana quando você precisa visualizar o funcionamento de uma fonte em uma determinada situação de contraste.

Exemplo de utilização da funcionalidade de escolher cores diferentes de fundo e preenchimento.

Exemplo de utilização da funcionalidade de escolher cores diferentes de fundo e preenchimento.

Então, recomendo bastante para quem procura um gerenciador de fontes simples experimentar o NexusFont.

Concluindo até agora:

Nós temos muita dificuldade de mudar hábitos e assim perpetuarmos alguns mantras que não são verdade, com essa lista é fácil ver que é possível  inserir programas não proprietários na rotina de trabalho. Se você também quer começar a trabalhar mais com essas alternativas ao caminho padrão bons pontos de partida podem ser: tentar usar programas não proprietários para substituir programas que não são muito importante na sua rotina de trabalho; procurar ferramentas que otimizem pequenas etapas do seu fluxo de trabalho; ou experimentando primeiro programas não proprietários quando buscar uma nova ferramenta. Colocando essas três simples ideias na sua mente será mais fácil ver onde é possível começar um caminho alternativo ao padrão na sua rotina pessoal ou profissional.

🙂

2015 07 PentaxSpotmatic vs OlympusTrip KodakEktachrome SãoPaulo vs Londrina Guilherme vs Gabi 02

Lá em meados de 2008 pra 2009 eu conheci o universo da Lomografia e entrei para a lista de e-mail LomoBr (acredito que a lista seja uma das se não a primeira iniciativa de lomografia no Brasil). A estética lomográfica é algo que está bem comum hoje em dia através dos filtros do Instagram e outros apps de celular que simulam os defeitos e erros do processo fotográfico analógico. A lista LomoBr me mostrou que indo além das questão estética, existe (existia?) na comunidade lomográfica um hábito de produzir projetos em conjunto. E esses projetos iam de coisas simples como sair para fotografar juntos em lugares bacanas, até organizar exposições ou coisas mirabolantes como o projeto LomoInLomo e “Lomo Matrix”.

Dentre esses projetos, existe um recorrente chamado “A Tale of Two Cities” que basicamente consiste em uma pessoa fotografar normalmente um rolo de filme em sua cidade e depois enviar para uma outra pessoa o mesmo filme para ela fazer fotos por cima, ou seja, o filme ficaria com duas exposições de locais, pessoas e máquinas diferentes. Eu gosto muito da lógica desse projeto pois ele além de possibilitar a troca entre pessoas para produzir algo em conjunto, permite que a fotografia analógica abra mais espaço ainda para o acaso, já que é praticamente impossível saber o que sairia desse filme, ainda mais que normalmente o projeto é feito com pessoas que não se conhecem e de cidades distantes.

2015 07 PentaxSpotmatic vs OlympusTrip KodakEktachrome SãoPaulo vs Londrina Guilherme vs Gabi 16

Minha companheira estava cursando Design Gráfico na Universidade Estadual de Londrina, e essa foi uma oportunidade de fazer um projeto desse tipo. Fotografei alguns dos meus dias de São Paulo usando a minha querida Pentax Spotmatic F com um filme Kodak Ektachrome e minha companheira fez a segunda exposição usando a queridinha OlympusTrip. Como em todo processo e projeto analógico existe a grande possibilidade da frustração dos resultados, pois são muitas variáveis e nem sempre você está no comando de todas. Dessa vez a frustração passou longe. Fazia tempo que não fazia projetos com dupla exposição, e a utilização de cameras com lentes diferentes ajudava mais ainda fazer umas combinações mais imprevistas. Minha Pentax estava com uma lente olho de peixe, e a Trip possui uma lente com pouca distorção, então isso fortalece o contraste das exposições em algumas fotos. As duas fotos que ilustram esse post sairam dessa experiência.

O filme completo pode ser visto aqui:

https://www.flickr.com/photos/terceiroolho/albums/72157666410381045

Hoje revirando alguns filmes aqui guardados procurando imagens interessantes para escanear que foram esquecidas encontrei uma tira do primeiro filme preto e branco que revelei. O filme foi feito para a disciplina de Fotografia do meu curso técnico de Design Gráfico na saudosa Etec. José Rocha Mendes. Eu fotografei algumas poses de um Kodak Tri-X 400 com uma SLR da Canon que não me recordo o modelo.

Olhando agora para esse filme e relembrando das aulas, ficou claro que foi nesse punhado de poses fotografadas e das horas gastas dentro do laboratório que surgiu a minha paixão pela fotografia analógica que persiste até hoje, que em breve pretendo abordar em um texto também.

Outra coisa que vejo, foi o surgir do meu gosto pelas imagens ao redor. Ao invés de procurar algum lugar diferente ou especial para queimar o filme eu preferi fazer o que faço até hoje. Usar da minha rotina como ponto de partida, onde fiz todas as fotos no bairro do Cambuci local onde eu fazia o curso de artes gráficas na época e que virou um pedaço da cidade de São Paulo importante na minha rotina por um bom tempo. A fotografia é uma forma muito efetiva de explorarmos as cidades como se fossemos eternos visitantes daquele espaço, como turistas que acabaram de chegar. Ao colocar a camera na frente do rosto a gente se desconecta do espaço e ao mesmo tempo refortalece o laço com aquele local, ainda mais quando trazemos locais que são de nosso convívio.

Um terceiro gosto que surge ao rever essas imagens é a busca pela ruína como algo bonito a ser explorado. As texturas já eram uma constante dos meus trabalhos daquela época (muito pela minhas referências), e é nas minhas fotografias analógicas que elas surgem com força, pela sujeira do próprio negativo, pela granulação (meus processos de revelação ñ são controlados, muito menos limpos) e também pelas imagens captadas. De certa forma num percursso de fotografia analógica mais permissiva aos defeitos do processo e sem rigor nos processos as texturas são coisas naturais que emergem em cada etapa do processo enriquecendo aquela imagem.

Para ver mais dessa minha paixão, fica o link do meu Flickr, onde as imagens são postadas:https://www.flickr.com/photos/terceiroolho/albums

 

Aaron

181
00:11:49,000 –> 00:11:50,006
Eu estava muito
frustrado com a escola.

182
00:11:50,064 –> 00:11:52,130
Eu pensei, os professores não
sabem o que eles estavam falando,

183
00:11:53,004 –> 00:11:56,007
eles são dominadores e controladores,
lição de casa era uma espécie de farsa.

184
00:11:56,814 –> 00:11:59,585
E, você sabe, toda
hora tinham… [inaudível]

185
00:11:59,607 –> 00:12:01,440
e forçá-los a fazer
muito trabalho.

186
00:12:01,701 –> 00:12:05,563
E, você sabe, eu comecei a ler
livros sobre a história da educação

187
00:12:05,006 –> 00:12:07,718
e como este sistema
educacional foi desenvolvido.

188
00:12:08,378 –> 00:12:12,225
E, você sabe, formas alternativas, onde as
pessoas pudessem realmente aprender as coisas

189
00:12:12,276 –> 00:12:14,282
em vez de apenas regurgitar
fatos que os professores lhes diziam

190
00:12:14,009 –> 00:12:16,665
e esse tipo de caminho me
levou a questionar as coisas

191
00:12:17,065 –> 00:12:20,942
e uma vez eu questionei a escola que eu estava,
eu questionei a sociedade que construiu a escola,

192
00:12:21,563 –> 00:12:24,749
eu questionei as empresas para o qual
as escolas estavam treinando as pessoas,

193
00:12:24,792 –> 00:12:27,818
eu questionei o governo que, você
sabe, configura toda esta estrutura.

376
00:25:22,002 –> 00:25:28,005
Eu sinto-me bastante fortalecido de que não
seja o bastante apenas viver no mundo como ele é,

377
00:25:28,007 –> 00:25:32,014
apenas pegar o que está dado e seguir as
coisas que os adultos nos dizem para fazer,

378
00:25:33,006 –> 00:25:36,013
que nossos pais nos dizem para fazer,
e que a sociedade nos dizem para fazer.

379
00:25:37,005 –> 00:25:40,011
Eu acho que você deve sempre estar questionando,
você sabe, tomar esta atitude muito científica

380
00:25:41,003 –> 00:25:42,008
de que tudo o que você
aprendeu é apenas provisório

381
00:25:42,009 –> 00:25:45,017
e está sempre aberto para retratação,
refutação ou questionamentos.

382
00:25:46,009 –> 00:25:48,014
E eu acho que o mesmo
se aplica à sociedade.

Trechos de legendas retiradas do documentário “O menino da Internet: a História de Aaron Swartz”
Site oficial: http://www.takepart.com/internets-own-boy

Assista com legenda em português:

 

Ops!

Bem, a maioria das pessoas que me conhecem sabem que eu não bebo nada com álcool. E muitas vezes fui questionado sobre o por que não beber nada com álcool, como se tivesse falando de uma seita maligna de outro mundo.

Existem vários fatores que fizeram não pegar o copo de cerveja quando me ofereceram. O primeiro na minha mente é o gosto, sim o gosto das bebidas com álcool, geralmente não me agradam. Quando falo isso, sempre soltam, “É que você não se acostumou, toma uma breja gelada e você vai ver!” e eu penso, por que raios eu tenho que me acostumar com algo que eu não gosto? É tão simples, evita-lo, por que eu não faria?

Mas existem outras bebidas que tem gosto bom (na minha cabeça agora veio Jurupinga), mas o fato de geralmente o gosto bom delas virem com enjoo já se torna mais um ponto para eu evita-las.

Meus pais também nunca me oferecem bebida como um ritual de passagem (acho que o ensino médio já um ritual de passagem bem “agressivo”).

E outro fato que mais me faz não querer consumir álcool, é o fato das pessoas implicarem com a minha opção de não querer beber álcool!

E ai, alguém me fala “Você não sabe aproveitar a vida, tem que curtir, se soltar, viver a mil”. Certo, talvez um dos motivos de nunca ter tomado um porre nervoso seja a insegurança e medo, mas na minha cabeça isso não encaixa no contexto de aproveitar a vida. Bem tenho amigos (que são muito queridos), já viajei com eles, já ri atoa, já fiz coisas que não faria se não estivesse tão descontraído com eles, entre outras coisas que enfim a bebida nunca foi um fator definitivo para a minha diversão, nem para a minha alegria.

Se você bebe, eu realmente não ligo, se você não fizer mal a ninguém e souber lidar com maturidade sobre o seu corpo, está tudo certo. Se eu não bebo, que diferença faz?

Nesse blog, sempre bato na questão das escolhas, e não é atoa. Temos uma dificuldade em tentar sentar, e observar as escolhas alheias sem questioná-las sobre nossa ótica.

Tudo na minha vida trilhou muito bem sem um porre e uma ressaca. Se um dia eu precisar, com certeza a escolha será minha.

Ps.: Aproveitei o momento pra voltar um pouco as ilustras só com vetor de outrora.

bandeira

Me encontro em meio a pesquisa.

Me encontro no pedaço do processo de fazer e de pensar.

Me encontro com meu objeto do acaso a Tropicália.

Em meio a todos os pedaços encontrados por ai, divinas e maravilhosas pedras preciosas escondidas por tanta eurocentrização da cultura.

Assisto ao documentário produzido em 2012 homônimo ao movimento de meu objeto. Um retrato, um discursso imagético e didático. Uma elucidação do que foi tirado ou resumido em meus livros do ensino médio como simples passagem musical morta pela ditadura e sem força de grito.

A completa assimilação e desassimilação presente naquele momento não deveria ser uma pequena passagem. Ignoramos nossa historia para se dedicar a páginas e páginas sobre uma cultura que poucos nos pertence e que muito nos omite.

Por favor, abrimos espaços ao que não conhecemos de nós.

Nos deem a liberdade e o direto de conhecermos a nós.

Quem me conhece sabe que gosto de chaves e a um tempo atrás escrevi um post chamado “A Chave e Eu” sobre como começou essa minha relação com estes objetos. A partir daquele momento adquiri de maneira bem clara na minha vida a chave como símbolo para as escolhas e pautei bastante ideias sobre escolhas.

Faça suas escolhas

Faça suas escolhas

A primeira idéia que sempre nos vem a respeito disso, é que somos livres para fazer nossas escolhas. Cheguei a representa-la por um bom tempo na página inicial do meu portfólio. O grande problema por trás dessa frase é que realmente fazer nossas escolhas é algo extramente complexo, que na verdade sempre se oculta por trás de várias incertezas, valores morais e valores desconhecidos. Mas ter a consciência de que podemos faze-las é essencial para o início de uma possível libertação. O que me leva uma outra abertura do meu portfólio, com uma frase de Fernando Pessoa, apropriada por Caetano Veloso e apropriada por mim representada abaixo:

Navegar é Preciso

Navegar é Preciso

O verso completo é “Navegar é preciso, viver não é preciso” que nos remete a vários questionamentos. Mas o que me fica na primeira parte e que cabe a esse texto é o significado de que é preciso navegar, é preciso se movimentar e todo movimento parte de uma escolha.

Dentre as diversas frases sobre escolhas que já me permearam os pensamentos, uma que sempre bate a porta é a máxima que já foi usada em diversos lugares (muito deles duvidosos):

“A cada escolha uma renúncia”

Que reduz a nossa vida a um binarismo eterno, e isso é de certa forma assustador e entristecedor. E foi em uma conversa lúcida com meu irmão mais velho em que ele me disse a frase que vem para compor junto com a anterior:

“Escolhas não são sentenças”

E agora com essa segunda frase que o código fica mais claro. Nossa vida passa sim por escolhas binárias, que resultam em mais escolhas binárias e assim vai em uma forma tão complexa que todas as escolhas podem ser feitas, refeitas e nenhuma delas será o definitivo caminho. Uma escolha não é apenas uma renúncia mas sim também uma porta para novas escolhas.

É importante saber então que nossa vida é sim feita de escolhas, mas nunca poderá ser imutável. Somos mutantes enquanto seres vivos.

Duas Chaves

Tatuagem desenhada pelos meus queridos irmãos

 

Umbigo

 

Uma coisa que ficou muito clara pra mim em 2013 é que temos que tomar uma posição sempre. A idéia de tomar uma posição não é se permanecer com uma idéia certa e fixa na cabeça, mas sim estabelecer uma posição que te possibilite uma discussão. Quando você se recusa a tomar uma posição sobre algo você está se afastando tanto do poder de opção deixando alguém tomar uma posição por você e também se afastando da maravilhosa e inspiradora discussão.

Quando nos tomamos essa posição fica mais claro como podemos nos aprofundar sobre aquilo e a partir do momento que nos apronfundamos em algo junto com a vontade de conhecer todos os lados das coisas que ficamos cada vez mais consciente dos nossos papéis e atitudes.

Mas também a partir do momento que tomamos uma posição que nos tornamos chatos. Em um mundo onde não tomar uma posição sobre algo é se fechar em seu umbigo e negar uma vida em sociedade verdadeira. Isso mesmo quando se omite de algo, você não está levando a vida leve, vocês está levando uma mentira. Então quando você levanta a cabeça e começa a perceber a quantidade de coisas que tem a sua volta, e você começa a querer que as pessoas também olhem, você é um chato.

Eu já tive muito medo de assumir minhas posições perante as pessoas, o medo básico do julgamento, do pensar diferente e o medo da discussão. Hoje talvez tenha menos “amigos”, mas sei que sou uma pessoa muito mais consciente, tolerante e humana em diversos aspectos.

Também temos o problema de as vezes assumir uma posição como minoria e essa é uma realidade que vivo diretamente e indiretamente. Venho de uma família que cultiva abertamente (e pra mim felizmente) ideais de esquerda, e em diversos espaços públicos e privados é comum ouvir sempre represálias ofensivas e desagradáveis sobre os atuais lideres Petistas do Brasil e de São Paulo. E na maioria das vezes que ouço isso ninguém tem um mínimo de pensamento sobre o fato de que essa posição pode me ofender e o direito de resposta é sempre visto como agressão a primeira fala.

E como disse o importante de se assumir a posição é estar aberto ao passo seguinte que sempre avaliar sua posição.

Jesus se importa!

 

Eu não tenho uma posição religiosa muito definida. Venho do catolicismo por ser a religião mais presente na minha família, mas não sou praticante. Tenho muitos amigos que são ateus.

Não gosto de julgar a religião dos outros, pois acredito que ter fé em algo é bom, te ajuda a se nortear pela vida. Mas mesmo sem saber que religião sou (se é que é preciso ter só uma) eu acredito que desejar o bem a alguém não faz mal a ninguém, mesmo que esse bem não seja exatamente o mesmo bem que você idealiza.

Acho importante respeitar as atitudes das pessoas; sair de uma zona de conforto e entregar panfletos pra desconhecidos ou sair cedo num sol de domingo pra andar de casa em casa acho uma atitude de crença que merece esse respeito.

Afinal se eu pegar o papel, ou ouvir aquela pessoa (mesmo que por pouco tempo) ela está perto do Deus dela, se eu vou estar do meu ou de ninguém, não importa. O que importa é que é bom saber que alguém quer o bem a desconhecidos.

 

/* Somente a montagem da ilustração com recortes falsos de papéis é minha, a pintura desse Jesus mais queimadinho veio do Google! */