Parte do processo

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illustrator

2014 fiz um trabalho em grupo na faculdade sobre a Tropicália. Ressignificamos algumas coisas do movimento. E agora ressignifco de novo uma arte do projeto.

Se as coisas podem viver eternamente, por que proíbi-las de serem livres a novas interpretações?

KitParangolé

Ops!

Bem, a maioria das pessoas que me conhecem sabem que eu não bebo nada com álcool. E muitas vezes fui questionado sobre o por que não beber nada com álcool, como se tivesse falando de uma seita maligna de outro mundo.

Existem vários fatores que fizeram não pegar o copo de cerveja quando me ofereceram. O primeiro na minha mente é o gosto, sim o gosto das bebidas com álcool, geralmente não me agradam. Quando falo isso, sempre soltam, “É que você não se acostumou, toma uma breja gelada e você vai ver!” e eu penso, por que raios eu tenho que me acostumar com algo que eu não gosto? É tão simples, evita-lo, por que eu não faria?

Mas existem outras bebidas que tem gosto bom (na minha cabeça agora veio Jurupinga), mas o fato de geralmente o gosto bom delas virem com enjoo já se torna mais um ponto para eu evita-las.

Meus pais também nunca me oferecem bebida como um ritual de passagem (acho que o ensino médio já um ritual de passagem bem “agressivo”).

E outro fato que mais me faz não querer consumir álcool, é o fato das pessoas implicarem com a minha opção de não querer beber álcool!

E ai, alguém me fala “Você não sabe aproveitar a vida, tem que curtir, se soltar, viver a mil”. Certo, talvez um dos motivos de nunca ter tomado um porre nervoso seja a insegurança e medo, mas na minha cabeça isso não encaixa no contexto de aproveitar a vida. Bem tenho amigos (que são muito queridos), já viajei com eles, já ri atoa, já fiz coisas que não faria se não estivesse tão descontraído com eles, entre outras coisas que enfim a bebida nunca foi um fator definitivo para a minha diversão, nem para a minha alegria.

Se você bebe, eu realmente não ligo, se você não fizer mal a ninguém e souber lidar com maturidade sobre o seu corpo, está tudo certo. Se eu não bebo, que diferença faz?

Nesse blog, sempre bato na questão das escolhas, e não é atoa. Temos uma dificuldade em tentar sentar, e observar as escolhas alheias sem questioná-las sobre nossa ótica.

Tudo na minha vida trilhou muito bem sem um porre e uma ressaca. Se um dia eu precisar, com certeza a escolha será minha.

Ps.: Aproveitei o momento pra voltar um pouco as ilustras só com vetor de outrora.

incisivo

G

Umbigo

 

Uma coisa que ficou muito clara pra mim em 2013 é que temos que tomar uma posição sempre. A idéia de tomar uma posição não é se permanecer com uma idéia certa e fixa na cabeça, mas sim estabelecer uma posição que te possibilite uma discussão. Quando você se recusa a tomar uma posição sobre algo você está se afastando tanto do poder de opção deixando alguém tomar uma posição por você e também se afastando da maravilhosa e inspiradora discussão.

Quando nos tomamos essa posição fica mais claro como podemos nos aprofundar sobre aquilo e a partir do momento que nos apronfundamos em algo junto com a vontade de conhecer todos os lados das coisas que ficamos cada vez mais consciente dos nossos papéis e atitudes.

Mas também a partir do momento que tomamos uma posição que nos tornamos chatos. Em um mundo onde não tomar uma posição sobre algo é se fechar em seu umbigo e negar uma vida em sociedade verdadeira. Isso mesmo quando se omite de algo, você não está levando a vida leve, vocês está levando uma mentira. Então quando você levanta a cabeça e começa a perceber a quantidade de coisas que tem a sua volta, e você começa a querer que as pessoas também olhem, você é um chato.

Eu já tive muito medo de assumir minhas posições perante as pessoas, o medo básico do julgamento, do pensar diferente e o medo da discussão. Hoje talvez tenha menos “amigos”, mas sei que sou uma pessoa muito mais consciente, tolerante e humana em diversos aspectos.

Também temos o problema de as vezes assumir uma posição como minoria e essa é uma realidade que vivo diretamente e indiretamente. Venho de uma família que cultiva abertamente (e pra mim felizmente) ideais de esquerda, e em diversos espaços públicos e privados é comum ouvir sempre represálias ofensivas e desagradáveis sobre os atuais lideres Petistas do Brasil e de São Paulo. E na maioria das vezes que ouço isso ninguém tem um mínimo de pensamento sobre o fato de que essa posição pode me ofender e o direito de resposta é sempre visto como agressão a primeira fala.

E como disse o importante de se assumir a posição é estar aberto ao passo seguinte que sempre avaliar sua posição.

treinando um pouco de lettering

vinho

explorando novas formas de obter texturas. o pixel é a minha unidade.

Grande dá pra ver legal o “dither” do gif.

Se nossos caminhos podem ser linhas, elas refletem uma malha complexa cheia de cruzamentos. Quando tudo se emabaraça, algo se perde.

Um fio que se corta, são dois caminhos que se separam. A cada vez, é o dobro de inicio e fim.

 

Eu e minhas escolhas, o meu maior juízo. Tudo é uma balança. Passo um, passo dois, passo três. Escolhas podem ser certas e podem ser erros. O resultado dela não afeta sua natureza. Se o passo foi pra frente ou pra trás ele foi dado e isso é o fato. E de fato não nos escondemos. De erros então não fugimos.Assim como meu sábio irmão disse uma vez pra mim e me fez pensar bem mais, “escolhas não são sentenças”. Elas são imutaveis sim, não se desfaz uma escolha, mas se faz uma nova sempre. É ai de onde saimos do engano, do erro e construímos novas possibilidades.
Resgatei a um tempo atrás a ilustração, o desejo de rabiscar e agora resgato com mais força o desejo de me retratar. Muitas vezes por ego, mas muito mais por que falo de mim. Eu aprendi a me expressar dessa maneira. Construir minha imagem em cima dos meus erros e foram muitos desses retratos que me fizeram experimentar.
Somos figuras mutantes. Imprecisas, cheia de diferenças.

 

Não sei se moro

na cidade ou no campo

fico solteiro ou namoro

se trabalho por prazer

ou apenas por dinheiro

Não sei fico se subo

ou caio do buraco

se prefiro esperar o amanhã

ou lembro do ontem