Parte do processo

Archive
experimentos

Em agosto deste ano ministrei um curso sobre design computacional utilizando o software NodeBox 3 (falei um pouco dele aqui neste postão). Como parte dos estudos que desenvolvi durante o preparo do material do curso, surgiu a ideia de fazer algumas animações utilizando apenas formas geométricas básicas (círculo, quadrado e triângulo).

Fiz quatro animações para cada forma, onde cada uma dessas animações tinham quatro variações de cor e proporção, totalizando 48 vídeos.

Com todos esses vídeos a primeira ideia que tive foi tentar encontrar uma forma edita-los de acordo com uma música utilizando algum outro software de programação ou de VJ.

Como iniciei o projeto utilizando um software código aberto, queria que todos os softwares envolvidos diretamente no processo do projeto também compartilhassem desse mesmo tipo de licença.
Sendo assim comecei a buscar softwares de VJ capazes de alternar os vídeos seguindo o BPM das e frequência da músicas. Por não conhecer muito de música e video, essa procura não deu muitos resultados. O software que chegou mais perto do que eu imaginava era o Ableton Live que é pago, mas tem um recurso interessante de lidar com clips de vídeo da mesma forma que lida com clips de áudio.

Pela programação a única ferramenta que sei manipular um pouco e que seria capaz de fazer isso era o Processing, mas logo nos primeiros testes vi que ele teria dificuldade para carregar e alternar os vídeos sem muitos atrasos.

Não conseguindo encontrar algo automático ou programar uma solução própria, achei que o melhor para não deixar o projeto engavetado por um tempo seria editar manualmente o vídeo. Nas buscas por um software bacana de edição código aberto, encontrei duas indicações o OpenShot e o Kdenlive.

Comecei testando o OpenShot, mas tive alguns problemas de performance quando comecei a inserir muitos vídeos então fui para o Kdenlive, que me agradou muito. Já tinha ouvido falar dele rodando em Linux, porém não sabia da sua versão beta para Windows. Por se tratar de uma versão de teste esperava encontrar uma certa perda performance e instabilidade, porém foi tudo tranquilo. Os vídeos rodaram com pouca defasagem e o sistema de edição é bem parecido com o Adobe Premiere que estou acostumado a trabalhar. Gostei bastante dos atalhos e da flexibilidade da interface.

Com esse projeto consegui sentir melhor o potencial do Nodebox 3 para criar animações com gráficos vetoriais, e que mesmo não sendo o método mais prático o fato de você conseguir parametrizar rapidamente diversas variáveis faz dele uma opção interessante para outros projetos desse tipo. O Kdenlive se mostrou com um potencial enorme de se tornar meu programa de edição principal.

O resultado pode ser visto no vídeo abaixo:

Formas from Guilherme Vieira on Vimeo.

Todo os arquivos do projetos estão disponíveis nesse repositório do GitHub:
https://github.com/guilhermesv/Formas

Mais imagens desse projeto:

https://www.behance.net/gallery/58421461/FORMAS

No fim das contas o que sempre me interessa no meu trabalho pessoal é a textura. Seja sintética no vetor ou orgânica vinda do analógico. O digital é sempre onde a fusão acontece.

Como forma de aliviar o estresse do TCC, estou voltando aos velhos hábitos de ficar bastante tempo compondo no Photoshop. O jeito de fazer fica sempre mais novo, e as vezes a estética também, mas no fundo é sempre  algo velho que coordena esses trabalhos. Sempre chamei esses exercícios sem um propósito muito específico de experimentos livres. Na minha pesquisa surgiu o termo ensaio para designar algo similar e de certa forma esses projetos são pequenos ensaios para a formação da minha identidade visual.

Na gênese desse jeito de fazer as coisas estão dois designers:

David Carson e Dave McKean, obrigado.

umnovoensaio

2014 fiz um trabalho em grupo na faculdade sobre a Tropicália. Ressignificamos algumas coisas do movimento. E agora ressignifco de novo uma arte do projeto.

Se as coisas podem viver eternamente, por que proíbi-las de serem livres a novas interpretações?

KitParangolé

Nos dias 14 e 21 de fevereiro deste ano, participei da oficina Construção de Câmera Digital Artesanal (com sucata de scanner) no SESC Belenzinho ministrada pelo fotógrafo Guilherme Maranhão.

No primeiro encontro da oficina, basicamente foi mostrado quais são as partes uteis dentro de um scanner para construção de uma câmera simples. Abrimos alguns desses scanners, conhecemos suas mecânicas e funcionamento e montamos nossa câmera.

Experimentamos também a construção de um sistema que rotacionava a câmera a fim de produzir uma especie de panorâmica equirretangular. Um vídeo da engenhoca foi postado no vimeo do Guilherme Maranhão:

oficina 14/03 from Guilherme Maranhao on Vimeo.

Houve também um espaço ao final desse encontro para o dialogo a respeito da fotografia de scanner, onde Guilherme comentou uma metáfora bem interessante de que normalmente fotografamos um recorte de tempo de um espaço construído, ou seja, enquadramos uma imagem (espaço) e fotografamos ela por alguns milisegundos (tempo) e é isso. Já na fotografia de scanner essa relação é invertida, ou seja, fotografamos recortes de espaço no tempo. Ou seja, nesse tipo de fotografia por trabalharmos com um CCD linear ao invés de um retangular como nas câmeras comuns, necessitamos de um movimento seja da câmera ou do tema fotografado. Isso faz com que percamos o nosso recorte de espaço para um espaço que se constrói em conjunto com o tempo ou talvez, se desconstrói ao tempo.

Logo após esse encontro, cheguei em casa e parti para exploração de dois scanners que tinha ganhado a um tempo atrás. Um deles um Epson Perfection 1260 e um Hp 2200c, sendo esse segundo o recomendado na oficina (sortes do acaso). Comecei pelo Epson, retirando o que não precisa dele (motor, lampada, botões de controle, etc) e fiquei com o essencial, a placa de alimentação e a placa do ccd ainda embutida no carro principal do scanner. Nesse projeto tentei usar a própria lente do scanner e o carro dele como suporte para montar a camera. Liguei no computador e ele foi reconhecido! Produzi essa imagem com ela:

Scan-150215-0003

A câmera montada final ficou assim:

Foto-criada-em-15-02-15-às-12.11-#2

Mas infelizmente acabei queimando ela, desconfio que com uma ligação ao contrário do flatcable que conecta as duas placas.

No segundo encontro da oficina, centramos nossas conversas mais a respeito da tecnologia e sobre a fotografia em si. Guilherme também aprofundou a conversa em alguns dos seus projetos de câmeras com sucata de scanners (todos os detalhes ele posta em seu blog, que compartilho ao final deste post). Com essas novas informações construí minha segunda camera, dessa vez com um projeto um pouco mais “robusto”.

A ideia inicial era reaproveitar um corpo de uma antiga slr que tenho aqui que não está funcionando legal, mas como é uma câmera boa acabei ficando com dó “destrui-la” e parti para uma solução mais artesanal mas que permitisse usar uma lente com foco e diafragma. O caminho escolhido foi:

  • produzir todo o corpo da câmera reaproveitando retalhos de madeira aqui do estúdio;
  • usar uma tampa de fundo de lente vazada como encaixe para a lente;
  • parafusos para controlar a distância do CCD entre a lente (ideia retirada desse projeto do Guilherme Maranhão);
  • uma rosca na parte inferior para encaixe de tripé;
  • elásticos para fechar e abrir as tampas superior e lateral da câmera;
  • e por fim feltro e foam preto para isolar as aberturas.

Aqui segue uma imagens de como ela ficou:

IMG_0260 IMG_0259 IMG_0256

Tive que colocar uma tampa na lente pra entrar menos luz. A tampa tem um corte linear pois o ccd é linear também.

O único problema é que nessa lente em especifico eu tenho uma pequena trava que precisa ser pressionada para dar o controle do diafragma. Infelizmente ainda não consegui pensar um jeito de trava-la sem danificar a lente.

As imagens obtidas com ela ainda tem uma certa perda de cor no verde, sendo todas imagens geradas mais puxadas pro vermelho. Em um teste parecia até que tinha um filtro infravermelho acoplado nela.

Bem, segue aqui alguns resultados

Scan-150223-0004_baixa

Scan-150223-0001

Para quem achou interessante esse processo super recomendo a visita ao site e blog do Guilherme Maranhão:

http://www.guilhermemaranhao.art.br/

https://refotografia.wordpress.com/

min-18575

 

Pequeno experimento produzido em Processing e finalizado no Photoshop. Pra quem quiser ver a parte em Processing:

http://www.openprocessing.org/sketch/184870

Uma ideia, pra gerar quase a arte inteira no Processing, seria fazer alguns dos grafismos gerados lá assumirem uma imagem, ao invés de cores aleatórias, como se fossem máscaras.

 

 

 

 

 

 

Gabri_ela

 

Começou sendo um não retrato, mas terminou sendo um retrato não tão parecido. Sobre ela já tem essa, essa e essa.

Sobre: espelho, auto-conhecimento e antigos hábitos.

Auto_Retrato

Ostentação

Shaun Ross

 

Com base em um retrato do modelo Shaun Ross

 

Esse ano redescobri o programa Nodebox. Havia já brincado com ele em outros momentos, mas que ainda era baseada em programação via código. A versão mais atual traz o conceito de programação por blocos ou nós que é bem mais amigável a quem quer se aproximar das artes geradas em computador.

Mandalinha