Parte do processo

Aviso aos desavisados

  1. Esse não é um texto para desbancar a suíte Adobe (ainda);
  2. Não tenho nada contra a programas, sistemas ou serviços que se estabelecem através da venda de licenças comuns, acredito que se o programa ou serviço atende a sua necessidade e custa um montante que você pode pagar, nada mais justo do que pagar por ele;
  3. Esse texto falará muito mais de escolhas pessoais do que profissionais, porém alguns pontos servem para os dois lados do meu trabalho;
  4. Eu falo sobre programas que eu posso baixar e utilizar gratuitamente, que podem tanto apenas não ter um custo para uso pessoal ou comercial, ou podem ser código-aberto ou então livres. Esses três tipos de softwares – gratuitos, código-aberto e livre – não são as mesmas coisas, e uma boa explicação das diferenças entre eles podem ser encontradas nesse link: http://www.infowester.com/freexopen.php.
  5. Caso você queira saber sobre os programas que eu uso, pode ir direto para a parte 2 deste texto!

Agora pode pegar uma xícara de chá, colocar a cadeirinha no sol e espero que tenha uma boa leitura! 🙂

 

Parte 1

A baixa popularidade de programas não proprietários no design

Já a bastante tempo sou um entusiasta de programas livres e/ou código-aberto, muito pela cultura que gira em torno disso do que pelo fato que mais atrai as pessoas que é o de fato de serem em sua maioria “de graça”. Faz um tempo também que tento inserir de forma mais consciente ferramentas desse tipo no meu dia a dia de trabalho, por isso resolvi escrever esse texto.

Uma das grandes inverdades que existe sobre programas gratuitos, código-aberto e livres é que eles não atendem a critérios profissionais e por isso não são utilizados amplamente. Softwares como o Blender é uma prova de quem utiliza esse argumento contra esse tipo de software pesquisou pouco. Acredito que as principais barreiras para uma ampla utilização de um programa desse tipo é o hábito, dificuldade de abandonar uma antiga rotina de trabalho e adotar uma nova; a falta de interesse em conhecer ferramentas desse tipo e; falta de incentivo nas redes de ensino (nesse ponto me refiro somente as redes de ensino da área em que atuo, que é design).

Nós temos o costume de criar apego aos softwares comerciais que usamos. Durante um bom tempo para agilizar meus projetos pessoais de fotografia utilizei o Adobe Lightroom. Com o passar do tempo fui produzindo menos fotos e usando menos o Lightroom no tratamento até que percebi que usava ele apenas para importar as fotos para meu computador. Foi aí que me dei conta que estava usando um programa que tinha em torno dos seus 4gb para fazer a simples função de importar fotos dos meus dispositivos para meu computador. Ou seja, não estava usando nem 1% do potencial do programa e o tinha instalado em minha máquina apenas por já saber como funcionava e ter uma boa interação com o software. Mesmo eu já nessa época sendo um forte entusiasta da cultura do software livre, utilizava uma ferramenta proprietária que não era intrínseca ao meu processo de trabalho apenas pelo hábito de usá-la, então eu percebi nisso uma ótima oportunidade de inserir um novo programa na minha rotina e que não envolvesse maneiras “alternativas” de conseguir a sua licença.

No ano passado eu quis voltar a mexer com algum programa 3D e para isso ia precisar dedicar algumas horas de aprendizado já que as minhas experiências com esse tipo de ferramenta tinham sido a muito tempo atrás. Na época comecei a pesquisar sobre o Cinema4D, que é um software proprietário incrível e acredito que seja hoje em dia uma das ferramentas mais queridinhas dos designers. E no meio dessa pesquisa me lembrei do Blender, que tinha tido um primeiro contato bem assustador e que sempre ouvir sem um software bom mas que tinha uma interface complicada. Resolvi então pesquisar novamente sobre ele também, e uma das formas mais rápidas de pesquisa que faço para ver se um software me atende é ver o que fazem com ele; fui no antro da cultura visual dos designers o Behance e busquei alguns trabalhos. No meio de um monte de projetos incríveis encontrei um brasileiro fazendo exatamente o tipo de trabalho que eu gostaria de desenvolver na época. Mandei uma mensagem pra ele perguntando sobre o programa, trocamos algumas ideias e resolvi encarar o Blender. Ao começar a usar o programa, consegui em poucas horas de estudos resultados que já me eram excelentes e hoje uso ele como meu software 3D principal. Então, é muito comodo ao começarmos a buscar uma nova ferramenta, simplesmente ir para a qual é mais utilizada no mercado proprietário, ignorando totalmente os produtos que seguem outra lógica de distribuição e as vezes tendo que fazer um investimento em algo que não precisávamos de fato.

Por fim, acredito que o último motivo da minha lista – a falta de incentivo ao uso de ferramentas com esse tipo de distribuição – é um dos que mais contribuem para o baixo alcance dessas ferramentas no design gráfico. Desde minha experiência no ensino técnico até a faculdade tive contato com apenas uma ferramenta livre, ou seja durante 8 anos dedicados ao estudo do design houve apenas um único incentivo à ferramentas não proprietárias. E ainda esse único incentivo veio na faculdade, se esse tipo de pensamento fosse inserido no ensino técnico talvez muito mais pessoas pudessem incorporar de fato ferramentas livres na sua rotina de trabalho. Muita vezes o que se pode pensar é que, ao incentivar o uso dessas ferramentas, o estudante pode ficar distante da realidade do mercado, mas esse argumento não é muito válido pois é possível encontrar situações em que caberia o uso de ferramentas livres como por exemplo o programa código-aberto Krita, que vem mostrando excelentes resultados no campo da ilustração e colorização digital. E particularmente também acho um argumento ruim já que acredito muito mais que uma instituição de ensino tem que puxar o mercado e não seguir o mercado.

Um outro exemplo claro de oportunidade para utilização de softwares não proprietários na educação foi na minha graduação. Nas aulas de tipografia criamos uma fonte desenhando todos os glifos em um arquivo do Illustrator e depois copiamos e colamos cada uma das letras para o FontLab que é um editor de fontes proprietário muito famoso no mercado de design de tipos. Depois de transportar cada glifo manualmente para dentro do programa, usamos ele apenas para automatizar os acentos, acertamos os espaçamentos e gerar o arquivo final da fonte. Todo esse processo poderia ter sido facilmente realizado no FontForge que é editor de fontes livre e código-aberto.

Existem outros pontos além desses que citei, porém acredito que esses sejam os principais para impedirem um amplo uso de softwares livres e/ou código-aberto. Para ampliar a visão sobre esses ferramentas fiz uma lista das principais que utilizo atualmente que se encaixam em algum dos tipos de licenças citadas no início deste texto (gratuitos, código-aberto e livres). Durante meu dia a dia quando necessito de alguma ferramenta para auxiliar em alguma tarefa sempre busco primeiro soluções não proprietárias, então acabo tendo diversos programas instalados em minhas máquinas, porém preferi fazer uma lista dos que eu utilizo com mais recorrência em minha rotina de trabalho pessoal e profissional.

 

 

Parte 2

Ferramentas não proprietárias na minha rotina

Greenshoot

É um programinha livre e código-aberto que faz a simples tarefa de potencializar o pobre printscreen do Windows. Ele permite ao usuário fazer capturas de regiões da tela, janela de algum aplicativo e tela inteira – cada um com seu atalho próprio customizado – e ao utilizar alguns desses modos ele tem a opção de abrir automaticamente um menuzinho fantástico com coisas que são possíveis de se fazer com aquela imagem, como: salvar diretamente na sua pasta de captura, abrir em algum editor, área de transferência, subir a imagem para algum serviço, abrir no Paint e outras!

Menu suspenso do programa Greenshot que abre automaticamente após a captura de uma imagem com as diversas opções de saída.

Menu suspenso do programa Greenshot que abre automaticamente após a captura de uma imagem com as diversas opções de saída.

Caso opte por guardar a imagem ela recebe um nome baseado na janela principal ativa, mais a data e horário de quando foi feita e salva no formato e qualidade especificado por você.

Outra coisa legal é que no momento da captura ele também mostra a dimensão da imagem (as vezes uso esse recurso para medir coisas na tela) e tem uma pequena lupa a direita para auxiliar a fazer um crop preciso.

Momento da captura de imagem com o Greenshot, onde ele mostra a dimensão da captura e ao lado uma lupa que amplia o ponto atual do cursor para ajudar na precisão do crop.

Momento da captura de imagem com o Greenshot, onde ele mostra a dimensão da captura e ao lado uma lupa que amplia o ponto atual do cursor para ajudar na precisão do crop.

NotePad++

O NotePad++ é um programa livre e código-aberto para editar texto ou código, suporta diversas linguagens de programação e possui uma série de plugins que aumentam suas funcionalidades parecidos com outros editores como SublimeText, Atom e Brackets. Ele não tem uma cara tão moderninha quanto seus similares, mas é um excelente software!

Um dos recursos que mais uso nele é o plugin de FTP que me permite deletar, criar, mover e subir arquivos no servidor e também baixar os arquivos para edição que são atualizados no servidor automaticamente após salvar o arquivo. O Atom e o Brackets tem plugins parecidos, mas nenhum deles funcionou tão bem e possui uma configuração tão simples quanto o do Notepad++.

Interface do programa Notepadd++, ao lado esquerdo é possível ver o plugin de FTP em execução exibindo a árvore de diretórios do servidor e abaixo um console que mostra os pedidos feitos feito ao servidor.

Interface do programa Notepadd++, ao lado esquerdo é possível ver o plugin de FTP em execução exibindo a árvore de diretórios do servidor e abaixo um console que mostra os pedidos feitos feito ao servidor.

Outros dois plugins interessantes para se ter instalado é o Quick Color Picker que adiciona uma pequena visualização da cor de um código hexadecimal e permite altera-la através de color picker e plugin Emmet que agiliza a escrita de códigos HTML e CSS através da utilização de pequenas expressões que guardam modelos ou geram códigos maiores, como nos exemplos abaixo:

Exemplo de utilização do plugin ColorPicker que exibe a baixo do código hexadecimal da cor uma faixa representando ela. Possibilita a seleção de outras cores usando um seletor de cor.

O plugin ColorPicker exibe a baixo do código hexadecimal da cor uma faixa representando ela. Possibilita a seleção de outras cores usando um seletor de cor.

Exemplo de utilização do plugin Emmet: na janela da esquerda duas expressões abreviadas e a direita o resultado expandido.

E o último ponto interessante do Notepad++ é o suporte que ele tem para utilizar expressões regulares, que é uma forma mais dinâmica de encontrar e substituir “cadeias” de caracteres utilizando pequenas expressões. Isso é muito útil quando você tem um arquivo de texto e precisa fazer algumas modificações nele, como por exemplo colocar todas as ulr que apareçam nele entre parênteses.

O InDesign tem sua própria variante das expressões regulares, porém algumas vezes não é tão funcional quanto como em um programa de edição de código. Por exemplo, em um projeto recente precisava transformar uma lista de bairros em um texto corrido inserindo um caractere de espaço em branco entre todas as letras da lista e sem ter espaços duplicados, dessa forma:

Para isso eu fiz duas buscas e substituições pelo Notepad++

  1. Primeiro busquei “\s” que encontra qualquer espaço em branco e substitui por nada, assim apaguei todos os espaços entre os nomes dos bairros.  
    Lista de bairros crua.

    Lista de bairros crua.

    Usando a expressão regular "\s" substitui todos os espaços em branco por nada, fazendo com que todos os nomes da lista se juntassem em uma grande linha.

    Usando a expressão regular “\s” substitui todos os espaços em branco por nada, fazendo com que todos os nomes da lista se juntassem em uma grande linha.

  2. Na sequência busquei por qualquer caractere do texto com a expressão “(.)” e substitui o caracter encontrado pelo próprio caracter mais um espaço em branco com a expressão “\1 “

 

E pronto, em alguns segundos eu tinha a lista pronta para usar em meu projeto. No InDesign não é possível fazer o segundo passo que fiz utilizando regex.

Esses são alguns das funções que mais uso no Notepad++, e pela minha experiência com ele, acredio que para quem não tem muitas pretensões e busca um programa bem direto e fácil de configurar para editar códigos e texto, ele é uma boa escolha.

 

NodeBox

O NodeBox é uma ferramenta código-aberto para design generativo baseado em nós – que é uma abordagem de programação através de pequenas funções conectadas umas às outras, montando uma estrutura que se assemelha a uma rede de nós – onde cada um deles tem seu conjunto de entradas de dados e saída de dados. A estrutura de nós permite uma prototipação rápida de ideias simples, pois não necessita da criação de códigos escritos e permite um controle mais dinâmico sobre os resultados, diferente dos programas de desenho vetorial comuns. Para não ficar limitado apenas aos nós oferecidos por padrão, o programa permite aos usuários avançados a possibilidade de programar seus próprios nós.

Por padrão o NodeBox já dá saída para PDF, PNG e consegue produzir animações além de imagens estáticas tanto como uma sequência de imagens como direto em um arquivo MP4. Isso facilita bastante pois não é necessário instalar ou configurar nenhuma biblioteca externa para começar a produzir.

Interface do Nodebox 3: a direita temos dois painéis, o de baixo é onde criamos os nós e o de cima as configurações daquele nó. No lado esquerdo temos sempre em tempo real a visualização do código.

A interface do Nodebox 3 é bem simples, a direita temos dois painéis, o de baixo é onde criamos os nós e o de cima as configurações daquele nó. No lado esquerdo temos sempre em tempo real a visualização do código.

Janela do programa Nodebox 3 com um barras coloridas que se movimentam como uma onda no lado esquerdo da janela e a direta a configuração dos nós usados.

Com alguns nós já é possível obter animações simples.

Acho esse programa uma ótima porta de entrada para quem quer aprender algum tipo de programação e não sabe por onde começar. Pelo fato de deixar várias funções prontas para o usuário e o resultado da combinações aparecer na tela ao lado em tempo real, é muito fácil começar a associar nós, ir improvisando lógicas e com poucos nós obter resultados bem interessantes e dinâmicos.

O NodeBox também é um excelente programa para gerar gráficos, utilizo ele para isso nos meus experimentos pessoais e também em projetos para clientes. Consigo gerar todo gráfico e estilizá-lo utilizando os próprios nós fornecidos pelo programa ou exportar um PDF e utilizar um programa vetorial para edição, estilização e finalização.

Gráfico de barras dispostas radialmente analisando dados retirados do meu blog, como número de posts, comentários, hora de publicação entre outros.

Visualização dos dados extraídos do meu blog.

Dois gráficos de barras com dados de desempenho de diversas nações na WorldSkills Competition.

Gráficos feitos para a WorldSkills.

Como disse, ele também é um excelente programa para prototipagem rápida de ideias que envolvem códigos, no meu trabalho de graduação que envolvia a criação de uma tipografia digital dinamicamente quase todos os estudos iniciais foram testados primeiro no NodeBox.

tcc-2Estudos TCC em Nodebox

tcc-3

Estudos desenvolvidos para o TCC

 

Processing

O Processing é um aplicativo código aberto e uma linguagem de programação voltada às artes visuais e como foco em ser uma linguagem de introdução ao universo dos códigos. Por ser desenvolvido desde 2001 e com uma comunidade bem ativa, é possível encontrar diversas bibliotecas que auxiliam na manipulação de gráficos vetoriais, interação com sensores, áudio e outras possibilidades. Além disso possui uma documentação bem completa sobre sua utilização. As possibilidades com o Processing são praticamente infinitas e uma simples busca na internet ou um passeio pela paginas deles já é possível ver isso.

Assim como o NodeBox eu ainda não tive muitas oportunidades de utilizá-lo em projetos comissionados, apenas para em trabalhos acadêmicos e pessoais, mas existem diversos estúdios que trabalham com ele para gerar gráficos, imagens, áudio e vídeo dinamicamente.

Cartaz para o Ibrasatope. O grafismo foi gerado a partir de uma imagem onde o código substituía uma porção de pixel da imagem por um módulo dependendo da intensidade do brilho daquela porção de pixels.

Cartaz para o Ibrasatope. O grafismo foi gerado a partir de uma imagem onde o código substituía uma porção de pixel da imagem por um módulo dependendo da intensidade do brilho daquela porção de pixels.

Projeto acadêmico desenvolvendo uma proposta de capa generativa para a banda Nação Zumbi. Cada capa possui um conjunto geradas no Processing.

Projeto acadêmico desenvolvendo uma proposta de capa generativa para a banda Nação Zumbi. Cada capa possui um conjunto geradas no Processing.

Ao contrário do NodeBox, a curva de aprendizado do Processing é um pouquinho mais íngreme, mas nada assustador. A linguagem possui diversas funções pré-definidas que já dão uma boa liberdade, e a grande vantagem é que ele permite um nível de interação com o usuário bem grande. É muito fácil criar um código e interagir com ele em tempo real através de diversas entradas, como mouse, teclado, webcam, microfones e placas com microcontroladores como o Arduino. A maioria dessas possibilidades é possível experimentar logo quando baixa o programa ao ver a biblioteca de exemplos deles.

 

Código simples em Processing que captura a posição do mouse e a utiliza como coordenadas para desenhar um círculo na tela.

Código simples em Processing que captura a posição do mouse e a utiliza como coordenadas para desenhar um círculo na tela.

No meu caso aproveitei bastante essa facilidade de interação com usuário do Processing em meu TCC. Como havia dito queríamos produzir uma tipografia digital dinamicamente, mas além disso tínhamos o objetivo de fazer com que fosse possível manipular algumas variáveis dela em tempo real e interagisse com o usuário. Isso foi feito em uma instalação que consistia de uma sala com um projetor, um computador, caixas de som e uma webcam. Uma frase escrita com nossa fonte era projetada na parede, só que totalmente ilegível. Quando o visitante se aproximava da projeção a tipografia ia se tornando mais legível, quando fazia algum som muito alto, a fonte ganhava um ruído em seu contorno e trocava a frase que estava sendo projetada. Tudo isso era comandado por um código em processing que ficava analisando em tempo real as imagens e sons capturados pela webcam. No vídeo abaixo dá para ver a instalação funcionando:

Enfim, se você quer começar a brincar com linguagens de programação textuais para expandir o seu campo de ideias o Processing é um bom lugar para isso também, o que não falta na internet é tutoriais e informações a respeito.

 

FontForge

Esse é um programa meio renegado pela sociedade, principalmente pelos designers de tipo.  O FontForge é um editor de fontes código aberto que foi desenvolvido inicialmente e durante um bom tempo como um projeto pessoal do programador George Williams e ficou muito anos meio que nas sombras até ganhar mais visibilidade no mundo da tipografia com o surgimento cada vez maior de fontes livres e pelo investimento do designer Dave Crossland em divulgar o programa.

A sua impopularidade na comunidade do design é que até pouco tempo ele não possuía um instalador bom, sua interface não é muito comum e ele é meio instável. Mas em contrapartida ele possui a maioria das funções básicas de um bom editor de fontes, como editar os espaçamentos, criar classes de kerning, automatizar transformações (rotacionar, mover, escalonar) em lote nos glifos, criação automáticas de diacríticos e suporta programações de recursos OpenType.

Ele também possui uma excelente documentação no site Design with FontForge que é praticamente um curso básico de design de tipos digitais.

Eu acredito fortemente que para projetos simples de design ele é um excelente programa, já desenvolvi um projeto de uma tipografia experimental nele em uma oficina ministrada pelo Marcelo Magalhães. Aliás o Marcelo é um grande entusiasta da ferramenta, apesar de não utilizá-la em todos os seus projetos, ele desenvolve um trabalho bem bacana na sua oficina Tipografia Libre ministradas no SESC. Também já utilizei ele para coisas simples como editar algum glifo, inserir um acento e converter uma fonte para outro formato (se for utilizar ele para fazer isso, verifique na licença da sua fonte se esse tipo de alteração é permitida!!).

 

Fonte desenvolvida com FontForge durante o workshop Tipografia Libre com Marcelo Magalhães.

Fonte desenvolvida com FontForge durante o workshop Tipografia Libre com Marcelo Magalhães.

Um exemplo de projeto simples que desenvolvi nele foi a identidade visual do primeiro FIME – Festival Internacional de Música Experimental no meu estúdio. O festival tinha o ruído como tema, para trazer isso para identidade criamos uma fonte que ao invés de possuir o desenho normal das letras do alfabeto possuía um padrão de linha para cada letra. Essa fonte ilegível foi utilizada em textos que falavam sobre ruído, festival e música gerando um conjunto de grafismos que foram utilizados no fundo das peças desenvolvidas.

Fonte criada no FontForge para a identidade visual da primeira edição do Festival Internacional de Música Experimental. Cada letra da fonte foi substituída por um padrão de linhas.

Fonte criada no FontForge para a identidade visual da primeira edição do Festival Internacional de Música Experimental.

Também digo que ele pode ser uma ótima ferramenta para utilizar academicamente pois o aluno não vai precisar adquirir uma ferramenta proprietária para desenvolver um projeto – que pode ser até o único que ele vai desenvolver na vida – e ele vai conseguir aprender todos os conceitos básicos de desenvolver um tipo digital.

Apesar de nunca ter me aventurado nisso, sei também que é possível desenvolver fontes nele a partir de programação e até mesmo utilizá-lo por linha de comando para converter, aplicar efeitos, editar informações entre outras coisas em um arquivo de fonte ou de uma família.

 

Blender

Talvez esse seja o programa que mais tenha me surpreendido nesse mundo de código-aberto e seja o programa com esse tipo de licença que mais uso no meu dia a dia profissional. O Blender é uma suíte de criação 3D, podendo trabalhar com modelagem, rigging, animação, simulações, renderização, composição, motion tracking, edição de vídeo e criação de jogos e é amplamente utilizado por estudantes e profissionais. Todo ano eles lançam um demoreel sobre o seu render padrão que mostra o tamanho do seu potencial, que pode ser assistido aqui.

 

Ilustração de lâmpada de luz negra feita no Blender 3d.

Um dos primeiros trabalhos que fiz no Blender com um resultado bem satisfatório.

Como todo programa 3D ele tem uma curva de aprendizado bem íngreme, mas que é suavizada pela enorme quantidade de sites, livros, tutoriais que você consegue encontrar na internet. Acho que a principal barreira dele é a sua interface, que inicialmente assusta um pouco mas também ela se torna sua amiga já que é totalmente customizável, assim como todo o software também é. Você pode dividir a janela do programa em quantas quiser, posicionar abas de ferramentas onde precisar, ajustar todas as cores da interface, e se souber programar em python criar suas próprias ferramentas.

Interface do Blender com a configuração padrão. A janela é divida em vários painéis que podem ser modificados e subdivididos para colocar outros painéis.

Interface do Blender com a configuração padrão. A janela é divida em vários painéis que podem ser modificados e subdivididos para colocar outros painéis.

 

Essa possibilidade de programação leva a outro ponto interessante do Blender, por ser um programa código-livre e ter uma comunidade ativa, muita gente desenvolve excelentes add-ons que aumentam as possibilidades com o programa ou facilitam seu uso.

Atualmente eu uso muito o Blender para fazer alguns experimentos gráficos, mas principalmente para desenvolver protótipos de projetos para apresentar para clientes. Posso dizer com total segurança de que se você precisa de um programa para desenvolver mockups ele consegue facilmente te atender.

Simulação peças desenvolvidas para o Coletivo Sobrinho com 3D feito no Blender e texturização no Photoshop para facilitar a edição.

Simulação peças desenvolvidas para o Coletivo Sobrinho com 3D feito no Blender.

Quando você consegue quebrar o gelo do primeiro contato com o programa, entender o por que de algumas lógicas de interfaces que parecem confusas inicialmente, o uso dele vai se tornando mais natural. Há um tempo atrás se me perguntassem a respeito de bons softwares 3d para começar com certeza minha indicação seria 3ds Max e o Cinema 4d, mas com um pensamento mais aberto e sabendo todo software 3d tem sua barreira inicial no aprendizado o Blender seria a minha primeira indicação, até por que ele não tem um custo inicial para você começar a utilizar ele em seus projetos profissionais enquanto os outros exigiriam a compra de um licença.

 

NexusFont

O último programa da minha lista é o NexusFont, um gerenciador de fonte gratuito que faz bem o que se propõe a fazer. Ele possui o básico do que se espera de um programa desse tipo, que é visualizar, comparar e utilizar as fontes sem a necessidade de instalá-las no sistema. Essa última função pra mim é essencial e é muito difícil de encontrar em gerenciador de fontes gratuitos que na maioria das vezes acabam sendo apenas visualizadores das fontes instaladas no sistema.

Janela do gerenciador NexusFont, ao lado esquerdo temos a lista de fontes, ao lado direito a visualização e no topo diversas configurações como o texto, tamanho de fonte, suavização, entre outras.

Janela do gerenciador NexusFont, ao lado esquerdo temos a lista de fontes, ao lado direito a visualização e no topo diversas configurações como o texto, tamanho de fonte, suavização, entre outras.

 

Além dessas funções básicas, ele também permite que você teste as fontes com a combinação de cores que você quiser de fundo e preenchimento, o que é muito bacana quando você precisa visualizar o funcionamento de uma fonte em uma determinada situação de contraste.

Exemplo de utilização da funcionalidade de escolher cores diferentes de fundo e preenchimento.

Exemplo de utilização da funcionalidade de escolher cores diferentes de fundo e preenchimento.

Então, recomendo bastante para quem procura um gerenciador de fontes simples experimentar o NexusFont.

Concluindo até agora:

Nós temos muita dificuldade de mudar hábitos e assim perpetuarmos alguns mantras que não são verdade, com essa lista é fácil ver que é possível  inserir programas não proprietários na rotina de trabalho. Se você também quer começar a trabalhar mais com essas alternativas ao caminho padrão bons pontos de partida podem ser: tentar usar programas não proprietários para substituir programas que não são muito importante na sua rotina de trabalho; procurar ferramentas que otimizem pequenas etapas do seu fluxo de trabalho; ou experimentando primeiro programas não proprietários quando buscar uma nova ferramenta. Colocando essas três simples ideias na sua mente será mais fácil ver onde é possível começar um caminho alternativo ao padrão na sua rotina pessoal ou profissional.

🙂

2015 07 PentaxSpotmatic vs OlympusTrip KodakEktachrome SãoPaulo vs Londrina Guilherme vs Gabi 02

Lá em meados de 2008 pra 2009 eu conheci o universo da Lomografia e entrei para a lista de e-mail LomoBr (acredito que a lista seja uma das se não a primeira iniciativa de lomografia no Brasil). A estética lomográfica é algo que está bem comum hoje em dia através dos filtros do Instagram e outros apps de celular que simulam os defeitos e erros do processo fotográfico analógico. A lista LomoBr me mostrou que indo além das questão estética, existe (existia?) na comunidade lomográfica um hábito de produzir projetos em conjunto. E esses projetos iam de coisas simples como sair para fotografar juntos em lugares bacanas, até organizar exposições ou coisas mirabolantes como o projeto LomoInLomo e “Lomo Matrix”.

Dentre esses projetos, existe um recorrente chamado “A Tale of Two Cities” que basicamente consiste em uma pessoa fotografar normalmente um rolo de filme em sua cidade e depois enviar para uma outra pessoa o mesmo filme para ela fazer fotos por cima, ou seja, o filme ficaria com duas exposições de locais, pessoas e máquinas diferentes. Eu gosto muito da lógica desse projeto pois ele além de possibilitar a troca entre pessoas para produzir algo em conjunto, permite que a fotografia analógica abra mais espaço ainda para o acaso, já que é praticamente impossível saber o que sairia desse filme, ainda mais que normalmente o projeto é feito com pessoas que não se conhecem e de cidades distantes.

2015 07 PentaxSpotmatic vs OlympusTrip KodakEktachrome SãoPaulo vs Londrina Guilherme vs Gabi 16

Minha companheira estava cursando Design Gráfico na Universidade Estadual de Londrina, e essa foi uma oportunidade de fazer um projeto desse tipo. Fotografei alguns dos meus dias de São Paulo usando a minha querida Pentax Spotmatic F com um filme Kodak Ektachrome e minha companheira fez a segunda exposição usando a queridinha OlympusTrip. Como em todo processo e projeto analógico existe a grande possibilidade da frustração dos resultados, pois são muitas variáveis e nem sempre você está no comando de todas. Dessa vez a frustração passou longe. Fazia tempo que não fazia projetos com dupla exposição, e a utilização de cameras com lentes diferentes ajudava mais ainda fazer umas combinações mais imprevistas. Minha Pentax estava com uma lente olho de peixe, e a Trip possui uma lente com pouca distorção, então isso fortalece o contraste das exposições em algumas fotos. As duas fotos que ilustram esse post sairam dessa experiência.

O filme completo pode ser visto aqui:

https://www.flickr.com/photos/terceiroolho/albums/72157666410381045

Hoje revirando alguns filmes aqui guardados procurando imagens interessantes para escanear que foram esquecidas encontrei uma tira do primeiro filme preto e branco que revelei. O filme foi feito para a disciplina de Fotografia do meu curso técnico de Design Gráfico na saudosa Etec. José Rocha Mendes. Eu fotografei algumas poses de um Kodak Tri-X 400 com uma SLR da Canon que não me recordo o modelo.

Olhando agora para esse filme e relembrando das aulas, ficou claro que foi nesse punhado de poses fotografadas e das horas gastas dentro do laboratório que surgiu a minha paixão pela fotografia analógica que persiste até hoje, que em breve pretendo abordar em um texto também.

Outra coisa que vejo, foi o surgir do meu gosto pelas imagens ao redor. Ao invés de procurar algum lugar diferente ou especial para queimar o filme eu preferi fazer o que faço até hoje. Usar da minha rotina como ponto de partida, onde fiz todas as fotos no bairro do Cambuci local onde eu fazia o curso de artes gráficas na época e que virou um pedaço da cidade de São Paulo importante na minha rotina por um bom tempo. A fotografia é uma forma muito efetiva de explorarmos as cidades como se fossemos eternos visitantes daquele espaço, como turistas que acabaram de chegar. Ao colocar a camera na frente do rosto a gente se desconecta do espaço e ao mesmo tempo refortalece o laço com aquele local, ainda mais quando trazemos locais que são de nosso convívio.

Um terceiro gosto que surge ao rever essas imagens é a busca pela ruína como algo bonito a ser explorado. As texturas já eram uma constante dos meus trabalhos daquela época (muito pela minhas referências), e é nas minhas fotografias analógicas que elas surgem com força, pela sujeira do próprio negativo, pela granulação (meus processos de revelação ñ são controlados, muito menos limpos) e também pelas imagens captadas. De certa forma num percursso de fotografia analógica mais permissiva aos defeitos do processo e sem rigor nos processos as texturas são coisas naturais que emergem em cada etapa do processo enriquecendo aquela imagem.

Para ver mais dessa minha paixão, fica o link do meu Flickr, onde as imagens são postadas:https://www.flickr.com/photos/terceiroolho/albums

 

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Hoje de manhã visitei a ocupação da Escola Estadual Profº Moacyr Campos (MOCAM) na zona leste de São Paulo, pois ontem ouve um recado do diretor  Claudemir Cruz que haveria aula, e que os alunos deveriam comparecer em conjunto com os país, pois a escola seria desocupada. Mediante a forte possibilidade de conflito policial resolvi passar na escola e acompanhar de perto, já que a escola foge do escopo da grande mídia.

Os alunos da ocupação, resistiram, porém o diretor conseguiu através do arrombamento de um cadeado adentrar a escola e permitir que alguns alunos entrassem, fazendo um discurso que colocava aluno contra aluno, e pais contra pais, o que é um absurdo.

Nesse momento um levantamento nos ânimos aconteceu entre os contra e a favor da ocupação, onde um homem que – já havia chamado a polícia para o local quando tudo estava totalmente tranquilo – com medo de ser agredido e sobre a alegação que estava passando mal reforçou o chamado a polícia para prestar seus “serviços”.

Com a chegada da polícia o clima obviamente ficou mais tenso, mas não houve conflito direto até pelo forte nível de opressão que 4 viaturas podem trazer para as pessoas. E por que obviamente nenhum dos ocupantes quer conflito, querem apenas um dialogo real e direto, e que não tenham que abrir mão de suas conquistas.

Por fim, ouve inicio a negociação e os ocupantes decidiram permitir que hoje houvesse aula para os alunos que foram. Uma média de 40 alunos que eu vi adentrar que com certeza vão ficar mais chateados por não ter lista de presença do que pela realidade de 94 escolas serem fechadas. Porém as ocupações irão seguir, e isso foi apenas uma trégua em respeito aos alunos que dizem querer ter aula.

Enquanto estava acompanhando, conversei com alguns alunos que estavam fora da escola aguardando a liberação para ter aula. Nas conversas era claro uma visão individualista sobre este momento, onde todos ali queriam saber se iam passar de ano, ou que teriam que vir para a escola nas férias para fazer reposição. Alias o argumento férias foi utilizado não somente por alunos, mas por pais também que não queriam perder a viagem de fim de ano.

O Moacyr Campos não está na lista das escolas que serão fechadas, então isso fortalece mais ainda o espírito individualista, já que a vida dessas pessoas não seriam afetadas diretamente, apenas continuariam com o ensino precário que já tinham. A falta de solidariedade, empatia e das reais consequências e impactos disso na sociedade não são levados em consideração.

Foi possível ainda ter que ouvir da boca de um pai – que o filho disse estar se lixando pra vida dos outros, que ele estava apenas preocupado com o futuro dele – que aquilo não tinha nada haver com política, apenas com alunos que queriam ter aula. E ai, a pergunta fica, que aula eles querem ter? Que aula eles tiverem? Por que, o desespero pra se ver livre de uma instituição? Com certeza todos sabemos que aula não é o motivo, é apenas uma hipocrisia.

Talvez pela primeira vez em muito tempo alunos estão dentro de escolas com um sentimento único e maior de pertencimento e emponderamento, são jovens de 15, 17 anos que entenderam que a escola é um espaço público e que ninguém é maior daqueles dentro desse prédio. Que a existência desse prédio só se dá pela existência deles, e que mexer com o direito de um é mexer com o direito de todos.

Assim como os alunos que ocupam o MOCAM não se omitiram ao que esta acontecendo, nós enquanto pessoas que vivem nessa sociedade também não devemos nos omitir.

AutoRetrato

No fim das contas o que sempre me interessa no meu trabalho pessoal é a textura. Seja sintética no vetor ou orgânica vinda do analógico. O digital é sempre onde a fusão acontece.

Como forma de aliviar o estresse do TCC, estou voltando aos velhos hábitos de ficar bastante tempo compondo no Photoshop. O jeito de fazer fica sempre mais novo, e as vezes a estética também, mas no fundo é sempre  algo velho que coordena esses trabalhos. Sempre chamei esses exercícios sem um propósito muito específico de experimentos livres. Na minha pesquisa surgiu o termo ensaio para designar algo similar e de certa forma esses projetos são pequenos ensaios para a formação da minha identidade visual.

Na gênese desse jeito de fazer as coisas estão dois designers:

David Carson e Dave McKean, obrigado.

umnovoensaio

A gente sempre se olha tentando se encontrar.

SeEncontrar

2014 fiz um trabalho em grupo na faculdade sobre a Tropicália. Ressignificamos algumas coisas do movimento. E agora ressignifco de novo uma arte do projeto.

Se as coisas podem viver eternamente, por que proíbi-las de serem livres a novas interpretações?

KitParangolé

Nos dias 14 e 21 de fevereiro deste ano, participei da oficina Construção de Câmera Digital Artesanal (com sucata de scanner) no SESC Belenzinho ministrada pelo fotógrafo Guilherme Maranhão.

No primeiro encontro da oficina, basicamente foi mostrado quais são as partes uteis dentro de um scanner para construção de uma câmera simples. Abrimos alguns desses scanners, conhecemos suas mecânicas e funcionamento e montamos nossa câmera.

Experimentamos também a construção de um sistema que rotacionava a câmera a fim de produzir uma especie de panorâmica equirretangular. Um vídeo da engenhoca foi postado no vimeo do Guilherme Maranhão:

oficina 14/03 from Guilherme Maranhao on Vimeo.

Houve também um espaço ao final desse encontro para o dialogo a respeito da fotografia de scanner, onde Guilherme comentou uma metáfora bem interessante de que normalmente fotografamos um recorte de tempo de um espaço construído, ou seja, enquadramos uma imagem (espaço) e fotografamos ela por alguns milisegundos (tempo) e é isso. Já na fotografia de scanner essa relação é invertida, ou seja, fotografamos recortes de espaço no tempo. Ou seja, nesse tipo de fotografia por trabalharmos com um CCD linear ao invés de um retangular como nas câmeras comuns, necessitamos de um movimento seja da câmera ou do tema fotografado. Isso faz com que percamos o nosso recorte de espaço para um espaço que se constrói em conjunto com o tempo ou talvez, se desconstrói ao tempo.

Logo após esse encontro, cheguei em casa e parti para exploração de dois scanners que tinha ganhado a um tempo atrás. Um deles um Epson Perfection 1260 e um Hp 2200c, sendo esse segundo o recomendado na oficina (sortes do acaso). Comecei pelo Epson, retirando o que não precisa dele (motor, lampada, botões de controle, etc) e fiquei com o essencial, a placa de alimentação e a placa do ccd ainda embutida no carro principal do scanner. Nesse projeto tentei usar a própria lente do scanner e o carro dele como suporte para montar a camera. Liguei no computador e ele foi reconhecido! Produzi essa imagem com ela:

Scan-150215-0003

A câmera montada final ficou assim:

Foto-criada-em-15-02-15-às-12.11-#2

Mas infelizmente acabei queimando ela, desconfio que com uma ligação ao contrário do flatcable que conecta as duas placas.

No segundo encontro da oficina, centramos nossas conversas mais a respeito da tecnologia e sobre a fotografia em si. Guilherme também aprofundou a conversa em alguns dos seus projetos de câmeras com sucata de scanners (todos os detalhes ele posta em seu blog, que compartilho ao final deste post). Com essas novas informações construí minha segunda camera, dessa vez com um projeto um pouco mais “robusto”.

A ideia inicial era reaproveitar um corpo de uma antiga slr que tenho aqui que não está funcionando legal, mas como é uma câmera boa acabei ficando com dó “destrui-la” e parti para uma solução mais artesanal mas que permitisse usar uma lente com foco e diafragma. O caminho escolhido foi:

  • produzir todo o corpo da câmera reaproveitando retalhos de madeira aqui do estúdio;
  • usar uma tampa de fundo de lente vazada como encaixe para a lente;
  • parafusos para controlar a distância do CCD entre a lente (ideia retirada desse projeto do Guilherme Maranhão);
  • uma rosca na parte inferior para encaixe de tripé;
  • elásticos para fechar e abrir as tampas superior e lateral da câmera;
  • e por fim feltro e foam preto para isolar as aberturas.

Aqui segue uma imagens de como ela ficou:

IMG_0260 IMG_0259 IMG_0256

Tive que colocar uma tampa na lente pra entrar menos luz. A tampa tem um corte linear pois o ccd é linear também.

O único problema é que nessa lente em especifico eu tenho uma pequena trava que precisa ser pressionada para dar o controle do diafragma. Infelizmente ainda não consegui pensar um jeito de trava-la sem danificar a lente.

As imagens obtidas com ela ainda tem uma certa perda de cor no verde, sendo todas imagens geradas mais puxadas pro vermelho. Em um teste parecia até que tinha um filtro infravermelho acoplado nela.

Bem, segue aqui alguns resultados

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Para quem achou interessante esse processo super recomendo a visita ao site e blog do Guilherme Maranhão:

http://www.guilhermemaranhao.art.br/

https://refotografia.wordpress.com/

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Pequeno experimento produzido em Processing e finalizado no Photoshop. Pra quem quiser ver a parte em Processing:

http://www.openprocessing.org/sketch/184870

Uma ideia, pra gerar quase a arte inteira no Processing, seria fazer alguns dos grafismos gerados lá assumirem uma imagem, ao invés de cores aleatórias, como se fossem máscaras.